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Sérvia vai insistir na autonomia para sérvios kosovares

O Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, declarou hoje que nas negociações com o Kosovo vai insistir no cumprimento de todos os acordos firmados com a sua antiga província, incluindo um estatuto de autonomia para os sérvios kosovares.

Sérvia vai insistir na autonomia para sérvios kosovares
Notícias ao Minuto

15:33 - 24/11/22 por Lusa

Mundo Sérvia

"Não se pode seguir em frente sem o cumprimento dos acordos previamente alcançados, e isso é de importância crucial para nós", declarou Vucic após o acordo alcançado na noite de quarta-feira sobre o contencioso relacionado com as matrículas das viaturas que circulam no Kosovo.

"Quando for criada a Associação de Municípios sérvios passaremos a outro assunto", disse o Presidente sérvio, numa referência à autonomia firmada em 2013 para a população sérvia do Kosovo, mas que ainda não foi concretizada.

Vucic, líder do conservador Partido Progressista Sérvio (SNS), indicou ainda que os sérvios do Kosovo "estão fartos de intimidações, chantagens e maus tratos" por parte de Pristina.

Em simultâneo, criticou as pressões da comunidade internacional.

A crise das matrículas tinha-se agravado esta semana devido ao ultimato emitido por Pristina aos sérvios kosovares para que apenas utilizassem as placas kosovares a partir de 21 de novembro.

O acordo entretanto alcançado, anunciado por Bruxelas após vários dias de tensões e sob fortes pressões da União Europeia (UE) e Estados Unidos, implica que a Sérvia deixe de emitir matrículas para os veículos com denominações das cidades do Kosovo.

Por sua vez, Pristina renuncia ao ultimato que implicava a aplicação de multas aos sérvios kosovares, caso não substituíssem as matrículas sérvias.

Vucic assinalou que as placas sérvias poderão continuar a ser utilizadas até uma solução definitiva, indicando que abrangem cerca de 9.000 pessoas.

Bruxelas, que tem assumido a função de mediador, deverá convocar as duas partes nos próximos dias para prosseguir com as conversações, indicou hoje o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.

No início da semana, os dois países tinham falhado em Bruxelas um acordo para resolver a crise.

As prolongadas tensões entre a Sérvia e a sua antiga província do sul, com maioria de população albanesa, agravaram-se nas últimas semanas após a decisão do Governo do Kosovo de proibir a circulação de matrículas emitidas na Sérvia.

De acordo com esta proibição, milhares de sérvios do Kosovo que possuem viaturas com matrículas consideradas ilegais por Pristina deveriam ser notificados até 21 de novembro, e de seguida multados caso não cumprissem a norma exigida. Desta forma, as autoridades albanesas kosovares asseguraram que começariam a aplicar a partir daquela data uma multa de 150 euros pelo uso de matrículas sérvias, habituais entre a população sérvia do norte do território.

Pristina tinha indicado ainda que a partir de 21 de abril seria apenas permitido circular com matrículas temporárias emitidas pelas autoridades albanesas kosovares.

Em 05 de novembro, em protesto pelo ultimato, dez deputados sérvios, dez procuradores e 576 oficiais da polícia da região de Mitrovica, norte do Kosovo, demitiram-se dos seus cargos, funções que ocupavam no âmbito dos acordos garantidos durante o "diálogo de normalização" promovido pela UE, enquanto dezenas de milhares de pessoas se manifestavam nas ruas.

Os representantes dos sérvios do Kosovo também exigem que Pristina respeite um ponto crucial do acordo de 2013 assinado em Bruxelas e relacionado com a formação de uma associação de municípios sérvios, que prevê um relativo grau de autonomia.

Belgrado nunca reconheceu a secessão do Kosovo em 2008, proclamada na sequência de uma guerra iniciada com uma rebelião armada albanesa em 1997 que provocou 13.000 mortos, na maioria albaneses, e motivou uma intervenção militar da NATO contra a Sérvia em 1999, à revelia da ONU.

Desde então, a região tem registado conflitos esporádicos entre as duas principais comunidades locais, num país com um terço da superfície do Alentejo e cerca de 1,7 milhões de habitantes, na larga maioria de etnia albanesa e religião muçulmana.

O Kosovo independente foi reconhecido por cerca de 100 países, incluindo os Estados Unidos, que mantêm forte influência sobre a liderança kosovar, e a maioria dos Estados-membros da UE, à exceção da Espanha, Roménia, Grécia, Eslováquia e Chipre.

A Sérvia continua a considerar o Kosovo como parte integrante do seu território e Belgrado beneficia do apoio da Rússia e da China, que à semelhança de dezenas de outros países (incluindo Índia, Brasil ou África do Sul) também não reconheceram a independência do Kosovo.

A UE considera que a normalização das relações entre a Sérvia e o Kosovo é condição indispensável para uma potencial adesão. No entanto, as negociações mediadas por Bruxelas permanecem num impasse, fazendo recear o regresso à instabilidade mais de duas décadas após o final do conflito.

Leia Também: Sérvia e Kosovo chegam a acordo sobre matrículas, anuncia Borrell

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