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Itália. Vitória provável da extrema-direita vai criar atrito com UE

  O jornalista Marcello Sacco, correspondente da agência de notícias ANSA em Portugal, afirmou hoje à Lusa que a provável vitória da extrema-direita nas eleições de domingo em Itália poderá criar sérios problemas com a União Europeia.

Itália. Vitória provável da extrema-direita vai criar atrito com UE
Notícias ao Minuto

11:21 - 23/09/22 por Lusa

Mundo Eleições em Itália

A Itália provavelmente passará a ter "uma política externa de atrito com algumas orientações europeias", considerou, lembrando que o partido que se tem mostrado à frente nas sondagens, o Fratelli d'Itália (Irmãos de Itália), é "uma direita eurocética", com "uma política dura de combate à imigração" e cujas promessas eleitorais "só podem ser cumpridas com derrapagens orçamentais".

Os italianos vão eleger, no próximo domingo, um novo Governo, na sequência da demissão do primeiro-ministro cessante, Mário Draghi, em 21 de julho, devido ao abandono de um dos partidos da coligação governamental, o Movimento 5 Estrelas.

Nestes dois meses, as sondagens mostram que os Irmãos de Itália e a sua líder, Giorgia Meloni, são favoritos nas intenções de voto, sendo provável que uma coligação de direita, com a Liga, de Matteo Salvini, e o Força Itália, de Sílvio Berlusconi, consiga uma vitória sem precedentes.

Apesar de lembrar que as sondagens em Itália só podem ser divulgadas até duas semanas antes das eleições - o que pode provocar algumas surpresas no dia da votação - Marcello Sacco admite acreditar que a direita irá governar a Itália a partir do final do mês.

Se se confirmar, haverá "um equilíbrio completamente diferente do dos governos de direita que vimos no passado, em que o centro da coligação era o partido de Berlusconi Força Itália e o próprio Berlusconi, uma figura hoje envelhecida e sem o carisma que teve",referiu o jornalista.

Para Marcello Sacco, é difícil dizer o que pode mudar no dia-a-dia das pessoas com a substituição de Draghi por Meloni à frente do país, "sobretudo num país onde os governos duram muito pouco".

No entanto, é quase certo que as ideias do partido "Irmãos de Itália" sobre a Europa, sobre imigração ou sobre política fiscal irão criar problemas com a Europa.

"Pode levar, por exemplo, à revogação do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] ou da própria política do Banco Central Europeu sobre o mecanismo  TPI - 'Transmission Protection Instrument', criado para combater os riscos de fragmentação da zona euro", admite.

E, embora não acredite que uma vitória de Meloni nas eleições possa significar uma aproximação à Rússia do Presidente Vladimir Putin - até porque a líder de extrema-direita criticou Moscovo "sem hesitações" assim que a Ucrânia foi invadida -, o jornalista da Ansa acha que a Hungria "ganhará, de certeza, um novo aliado".

"Pelo menos no combate de Budapeste face às imposições e às orientações que vêm de Bruxelas", considerou.

A Comissão Europeia propôs, no domingo passado, a suspensão de uma parte dos fundos europeus a dar à Hungria, argumentando que o Governo Viktor Orbán - que a líder do "Irmãos de Itália" assumiu admirar - não cumpre as regras de um Estado de direito.

Outro dos pontos de atrito com Bruxelas deverá ser a política de migração defendida pela coligação de direita.

"Falam em bloqueio naval [para impedir a travessia do Mediterrâneo de barcos com migrantes que pretendem sair de África e vir para a Europa], que é algo que não pode ser realizado e é ilegal, e em centros de recolha de migrantes no próprio Norte de África, uma política perigosamente agressiva para com os países do Norte de África, onde sabemos que a situação é tudo menos linear", descreve Marcello Sacco.

Além destas ideias defendidas por Giorgia Meloni, "temos também as de Salvini, que quer um regresso ao seu decreto de segurança - chamado assim quando era ministro da Administração Interna - [que promovia] o sequestro de navios ao largo dos portos italianos" e apesar de "ainda estar a enfrentar processos" judiciais por isso.

"Depois, há outras frentes que se abrem, como por exemplo, em termos de política económica e financeira", aponta o jornalista, referindo que "muitas das promessas eleitorais [dos partidos da direita] só podem ter cobertura financeira com derrapagens orçamentais" que vão contra as regras da União Europeia.

Isto "vai criar problemas com Bruxelas e [também] com Frankfurt, com o Banco Central Europeu", disse Marcello Sacco.

Leia Também: Itália. Relação entre líderes da coligação de direita será crucial

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