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Itália. Relação entre líderes da coligação de direita será crucial

 Eleições decorrem este domingo.

Itália. Relação entre líderes da coligação de direita será crucial
Notícias ao Minuto

10:31 - 23/09/22 por Lusa

Mundo Eleições em Itália

Num país onde não cumprir a legislatura é quase uma tradição dos Governos, Marcello Sacco, correspondente da agência de notícias ANSA em Portugal, lembra que o centro-direita "tem no seu historial recente uma prova de governabilidade que a esquerda nunca teve".

O atual líder do partido Força Itália, Sílvio Berlusconi foi primeiro-ministro do país entre 1994 e 1995, 2001 e 2005, entre 2005 e 2006 e de 2008 a 2011, tendo-se tornado o chefe do executivo que ocupou o cargo durante mais tempo desde o final da II Guerra Mundial.

À frente do outro partido que deverá ocupar o Governo está Matteo Salvini, líder da Liga desde 2013, responsável pelas pastas de vice primeiro-ministro e ministro do Interior entre 2018 e 2019. Salvini ficou conhecido pelas suas políticas anti-imigração, que levaram ao bloqueio de navios com migrantes desesperados e pelo que ainda hoje responde em tribunal.

"De facto, as divergências [entre os três líderes] existem e é preciso ver como é que vão conseguir reduzi-las", considerou o jornalista italiano, em declarações à agência Lusa.

A sua manutenção no poder - no caso provável de a coligação de direita se tornar o próximo Governo de Itália - "dependerá muito da dinâmica e da relação de forças entre eles, que só depois do dia 25 poderemos ver", observou.

"Por exemplo, as sondagens dão como muito fraco os resultados tanto do Força Itália como da Liga" e um resultado muito baixo nas eleições para Salvini "pode significar o seu fim dentro do partido e, portanto, [a sua substituição por] uma nova liderança, que trará novidades", admitiu Marcello Sacco.

Com isso, o partido poderá regressar àquilo que começou por ser, mais regionalista.

Isso "poderá criar um problema de diálogo com o resto dos partidos da coligação se pensarmos que, por exemplo, o Irmãos de Itália [de Giorgia Meloni, que lidera as intenções de voto] é um partido nacionalista", alertou.

Os italianos vão eleger, no próximo domingo, um novo Governo, na sequência da demissão do primeiro-ministro cessante, Mário Draghi, em 21 de julho, devido ao abandono de um dos partidos da coligação governamental, o Movimento 5 Estrelas.

Nestes dois meses, as sondagens mostram que os Irmãos de Itália e a sua líder, Giorgia Meloni, são favoritos nas intenções de voto, sendo provável que uma coligação de direita, com a Liga, de Matteo Salvini, e o Força Itália, de Sílvio Berlusconi, consiga uma vitória sem precedentes.

Para Sacco, apesar de tanto Berlusconi como Salvini serem figuras que aspiram ao protagonismo, ambos terão de se conformar com o facto de ser Meloni a dominar a coligação de direita e, eventualmente, dirigir o país.

"Vão ter de se contentar", afirma Marcello Sacco, explicando, no entanto, que há uma série de cenários para equilibrar os egos.

"Há quem fale em Berlusconi como presidente do Senado, para completar a sua carreira. Ele aspirava a ser Presidente da República e ainda tentou nas últimas eleições presidenciais", avançou, adiantando que "também há quem diga que o próprio Salvini poderia ser presidente do Senado".

Embora essa distinção seja considerada "uma espécie de prémio", o jornalista argumenta que se trata, ao mesmo tempo, de colocar estas duas personalidades "de lado" para "não terem um grande impacto na vida política do Governo".

"Poderá haver muitas soluções e acredito que a direita, esta direita, pode governar durante longos anos. Para o bem e para o mal", admitiu.

Mas Marcello Sacco também refere a possibilidade de "uma recuperação do Movimento 5 Estrelas, sobretudo no sul de Itália", retirando votos ao centro-direita, o que, "combinado com a lei eleitoral, que funciona com círculos uninominais, poderá até tirar votos ao centro-direita".

Uma situação que, sublinha, "poderá repor na corrida o Partido Democrata para soluções de governação diferentes".

Em Itália, "há sempre surpresas", refere, lembrando que "na política, como no futebol, os prognósticos só [são dados] depois do jogo".

Leia Também: Com a direita, Itália terá "cabeça erguida" na Europa

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