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Amnistia tentou "transferir responsabilidade do agressor para a vítima"

Zelensky fala em "seletividade imoral" e diz que aqueles que fornecerem "relatórios manipuladores" acabarão por compartilhar com a Rússia "a responsabilidade pela morte de pessoas".

Amnistia tentou "transferir responsabilidade do agressor para a vítima"

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou, esta quinta-feira, a Amnistia Internacional (AI) de estar a tentar desculpabilizar a Rússia e a "transferir a responsabilidade do agressor para a vítima".

Sublinhe-se que esta posição surge na sequência de um relatório conhecido hoje, no qual a AI alertou que as forças ucranianas põem em perigo a população civil quando estabelecem bases militares em zonas residenciais e lançam ataques a partir de áreas habitadas por civis, "para repelir a invasão russa".

A organização não-governamental denuncia ainda que essas táticas violam o direito internacional e tornam zonas civis em objetivos militares contra os quais os russos retaliam.

No seu discurso diário, Zelensky começou por falar de vários ataques russos ocorridos no dia de hoje, nomeadamente contra uma paragem de autocarro em Toretsk, no qual oito pessoas morreram, para abordar o relatório em questão.

"Não vemos relatórios claros e oportunos de algumas organizações internacionais sobre este e milhares de outros crimes cometidos por terroristas russos. Vimos hoje um relatório completamente diferente da Amnistia Internacional, que infelizmente tenta amnistiar [perdoar] o estado terrorista e transferir a responsabilidade do agressor para a vítima", afirmou.

"Não pode haver - mesmo hipoteticamente - qualquer condição sob a qual qualquer ataque russo à Ucrânia se justifique", acrescentou.

Zelensky defende que não pode ser "tolerado" que seja "ignorada" a atitude do "agressor".

"A agressão contra o nosso Estado não foi provocada, é invasiva e abertamente terrorista. E se alguém fizer um relatório em que a vítima e o agressor supostamente são iguais em alguma coisa, se forem analisados ​​alguns dados sobre a vítima e o que o agressor estava a fazer naquele momento for ignorado, isso não pode ser tolerado", defendeu.

Mas o chefe de estado ucraniano não ficou por aqui e falou em "seletividade imoral" após enumerar a destruição já causada pelos ataques russos.

"Quase 200 edifícios religiosos (...) foram danificados ou destruídos por ataques russos. Quase 900 instalações médicas. Mais de 2.200 instituições de ensino (...) Os ocupantes dispararam repetidamente deliberadamente artilharia e morteiros contra pessoas que faziam fila por água, em autocarros de evacuação e repetidamente em paragens de transportes públicos (...) E não há relatos sobre isso por algum motivo. Isso é seletividade imoral", acusou.

O presidente da Ucrânia termina referindo que aqueles que fornecerem "relatórios manipuladores" acabam por compartilhar com a Rússia "a responsabilidade pela morte de pessoas".

"Qualquer um que amnistie a Rússia e crie artificialmente um contexto informacional tal que alguns ataques de terroristas sejam supostamente justificados ou supostamente compreensíveis, não pode deixar de perceber que isso ajuda os terroristas. E se fornecer relatórios manipuladores, compartilhará a responsabilidade pela morte de pessoas com eles", concluiu.

Sublinhe-se que antes de Zelensky, também o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, afirmou estar "indignado" com as acusações "injustas" da AI, e Mykhailo Podolyak, o conselheiro do presidente ucraniano, acusou a ONG de participar numa "campanha de desinformação e propaganda". 

De realçar que no relatório a AI ressalva que a atuação das forças ucranianas não justifica de modo algum os ataques indiscriminados da Rússia.

Recorde-se que, de acordo com as Nações Unidas, mais de cinco mil civis já morreram desde o início da guerra na Ucrânia. 

Leia Também: Detido alemão que planeava combater pelas forças russas na Ucrânia

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