Meteorologia

  • 10 AGOSTO 2022
Tempo
19º
MIN 18º MÁX 26º

"Não é problema nosso". Rússia rejeita incumprimento

Recorde-se que, no final de maio, os Estados Unidos da América acabaram com a exceção que permitia à Rússia pagar as suas dívidas com dólares.

"Não é problema nosso". Rússia rejeita incumprimento
Notícias ao Minuto

11:30 - 27/06/22 por Notícias ao Minuto com Lusa

Mundo Ucrânia/Rússia

A Rússia rejeitou as alegações de incumprimento na dívida externa pela primeira vez num século, noticiada esta segunda-feira pela Bloomberg.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, assegurou que o país fez os pagamentos pendentes até maio, considerando que se a transação foi bloqueada pela Euroclear [empresa de serviços financeiros] devido às sanções ocidentais "não é problema nosso", cita a agência Reuters.

"Não há razão para chamar a isto um incumprimento", complementou, em declarações aos jornalistas. "Este pagamento foi feito em maio, em moeda estrangeira", disse.

"Estas alegações sobre um incumprimento russo são completamente ilegítimas", insistiu.

A Rússia anunciou, a 20 de maio, que tinha pagado juros sobre duas dívidas no valor de 71,25 milhões de dólares e de 26,5 milhões de euros, sete dias antes da data prevista para evitar que estes pagamentos fossem bloqueados por sanções em vigor a partir de 25 de maio. 

Segundo explica a Bloomberg, o período de carência dos 100 milhões de dólares em juros que deveriam de ter sido pagos a 27 de maio expirou no domingo, o que significa que a Rússia entrou em incumprimento.

Este cenário acontece numa altura em que as sanções ocidentais "cada vez mais duras" têm dificultado - e até mesmo bloqueado - os pagamentos, esclarece a mesma agência.

"Isto não é um incumprimento do nosso país, mas sim o colapso artificial e deliberado do sistema internacional de compensações", disse à agência russa Ria Novosti Konstantin Kosachev, vice-presidente da câmara alta do Parlamento.

Peskov advertiu contra qualquer tentativa do Ocidente de se apropriar, sob pretexto de um incumprimento, das reservas financeiras russas no estrangeiro, congeladas como parte das sanções ocidentais contra Moscovo devido ao conflito na Ucrânia.

As reservas estão "ilegitimamente congelados e qualquer tentativa de as utilizar será também ilegítima, será praticamente um roubo", sublinhou.

Na semana passada, o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, afirmou que a Rússia tinha efetuado pagamentos de juros em rublos da dívida emitida em dólares, negando que o país estivesse em risco de incumprimento.

Em seguida, acusou as "contrapartes estrangeiras" de se recusarem a fazer pagamentos em moeda estrangeira, criando assim as condições para um incumprimento artificial, chamando à situação uma "farsa".

Recorde-se que, no final de maio, os Estados Unidos da América acabaram com a exceção que permitia à Rússia pagar as suas dívidas com dólares, decisão que poderia levar Moscovo a entrar em incumprimento.

Desde 5 de abril, quando as sanções contra Moscovo foram reforçadas, que a Rússia não pode pagar a dívida com dólares, noticia a agência France-Presse (AFP).

A governadora do banco central russo, Elvira Nabioullina, admitiu, a 29 de abril, que Moscovo estava a enfrentar "dificuldades de pagamento", recusando-se, contudo, a falar sobre um possível incumprimento.

Lançada a 24 de fevereiro, a ofensiva militar russa na Ucrânia já provocou a fuga de mais de 15 milhões de pessoas - mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 7,5 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Além disso, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A ONU confirmou ainda que mais de quatro mil civis morreram e mais de cinco mil ficaram feridos na guerra, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

A invasão russa - justificada pelo presidente russo pela necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores.

[Notícia atualizada às 13h18]

Leia Também: Rússia entrou em 'default' pela primeira vez em 100 anos

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Sexto ano consecutivo Escolha do Consumidor e Prémio Cinco Estrelas para Imprensa Online.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download

;
Campo obrigatório