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Justiça pede investigação a manobra de Bolsonaro por ex-ministro detido

Um juiz e o Ministério Público Federal do Brasil pediram hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue uma possível interferência do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em favor de um ex-ministro detido numa investigação sobre corrupção.

Justiça pede investigação a manobra de Bolsonaro por ex-ministro detido
Notícias ao Minuto

17:54 - 24/06/22 por Lusa

Mundo Brasil

Segundo o Ministério Público Federal, haveria "indicações de vazamento [divulgação de informação] na operação policial", que na última quarta-feira levou à prisão o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, libertado 24 horas depois por ordem judicial, "e de possível interferência do Presidente da República nas investigações".

Essa afirmação foi apoiada pelo juiz Renato Borelli, que havia ordenado a prisão do ex-ministro e num documento enviado ao STF em que foi mais cauteloso, embora se tenha expressado no mesmo sentido.

Borelli citou uma "possível interferência nas investigações" de alguém que não identifica, mas sobre quem esclarece que tem status de autuado e só pode ser investigado pelo STF, o que parece ser uma alusão direta a Bolsonaro.

As suspeitas do magistrado e do Ministério Público sugerem que Milton Ribeiro poderá ter sido avisado com antecedência sobre o andamento das investigações e de uma busca na sua residência, o que de facto ocorreu na última quarta-feira, quando o ex-ministro foi detido.

Ribeiro, que é pastor de uma igreja presbiteriana, foi ministro entre julho de 2020 e março passado, quando apresentou a sua renúncia após suspeitas de que fazia parte de uma suposta rede de corrupção tecida no seu gabinete.

De acordo com a denúncia, os pastores evangélicos Gilmar Santos e Arilton Moura, com o apoio de Ribeiro, extorquiram prefeitos de várias cidades e exigiram suborno para atribuir recursos da pasta da Educação para aqueles municípios.

As suspeitas foram confirmadas por pelo menos três autarcas e, em relação aos pastores Santos e Moura, acrescentam que nos últimos dois anos visitaram o Palácio do Planalto, sede da Presidência brasileira, 30 vezes, o que foi confirmado por fontes oficiais.

Ribeiro e os pastores permaneceram detidos durante 24 horas, mas foram libertados graças a uma decisão de outro tribunal, que considerou que não existiam as "condições legais necessárias" para justificar uma prisão preventiva.

Em março passado, quando rebentou o escândalo, Bolsonaro defendeu o ministro e chegou a dizer que colocava "a cara no fogo" por Ribeiro.

No entanto, esta semana, o Presidente brasileiro garantiu que a prisão do ex-ministro foi a prova de que o Governo não tolera irregularidades.

"Que ele responda pelos seus atos. Peço a Deus que ele não tenha problemas, mas se houver, a Polícia Federal está agindo", disse Bolsonaro.

Leia Também: "Monstro". Deputados portugueses reagem a declarações de Bolsonaro

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