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Ucrânia: Reunião na Turquia "resultará de meses de trabalho intenso"

O secretário-geral das Nações Unidas afirmou à Lusa que a reunião entre a ONU, Rússia e Ucrânia na Turquia, prevista para "as próximas semanas" e focada no transporte de cereais, será o culminar "de meses de trabalho intenso".

Ucrânia: Reunião na Turquia "resultará de meses de trabalho intenso"
Notícias ao Minuto

06:47 - 24/06/22 por Lusa

Mundo ONU

De acordo com António Guterres, esta "é, porventura, a tarefa mais importante" em que está envolvido a "curto prazo".

"Isto corresponderá ao resultado de meses de trabalho intenso e de contacto intenso e é, porventura, a tarefa mais importante em que eu, neste momento, estou envolvido a curto prazo", disse o líder das Nações Unidas em entrevista à agência Lusa, na sede da organização, em Nova Iorque, a poucos dias de estar em Lisboa para participar na conferência da ONU sobre Oceanos que arranca na segunda-feira na capital portuguesa.

Apesar de defender que as alterações climáticas, a defesa dos Oceanos e a luta contra a poluição são objetivos existenciais para o planeta e para a sua população, e que a guerra na Ucrânia não nos pode fazer esquecer dessas questões, Guterres salientou que a crise alimentar é uma prioridade absoluta.

"Agora, a curto prazo, é preciso resolver o problema da crise alimentar e não há outra maneira de resolver esse problema a não ser mobilizando um conjunto de atores para um acordo que permita que, finalmente, os cereais ucranianos saiam dos seus silos pelo Mar Negro e que os fertilizantes russos possam ajudar a adubar as produções alimentares em todo o mundo", reforçou.

Uma reunião quadripartida com representantes das Nações Unidas, Rússia e Ucrânia terá lugar nas "próximas semanas" na Turquia para organizar o transporte de cereais através do Mar Negro, segundo informações avançadas por Ancara.

A ONU está a negociar há várias semanas com Moscovo, Kiev e Ancara um acordo que permita a saída dos cereais da Ucrânia em segurança, e que também assegure o acesso de produtos agrícolas russos, incluindo fertilizantes, ao mercado internacional.

A concretização de um acordo permitiria uma redução dos preços dos produtos e atenuaria a crise alimentar no mundo, que se tem agravado na sequência da invasão russa.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, citando fontes da Presidência turca, António Guterres e o chefe de Estado da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, são esperados nessa reunião.

Questionado diretamente pela Lusa se estará presente nesse encontro, Guterres optou por não confirmar, mas garantiu que a resolução da situação "dramática" que se vive em alguns países devido à crise alimentar é um dos grandes esforços que tem em mãos.

"A curto prazo é fundamental reduzir os preços dos alimentos que estão a criar uma situação dramática em muitos países do mundo. É fundamental e este tem sido o grande esforço que eu próprio e as Nações Unidas têm desenvolvido: trazer os produtos alimentares da Ucrânia para o mercado, trazer os produtos alimentares e os fertilizantes russos para o mercado", afirmou o secretário-geral.

Segundo explicou Guterres, todo esse processo envolve uma negociação complexa que as Nações Unidas têm vindo a fazer com a Ucrânia, com a Turquia e com a Rússia em relação ao Mar Negro, mas também com os Estados Unidos e com a Europa, "no sentido de permitir que - uma vez que não há sanções sobre alimentos e fertilizantes, embora haja depois efeitos indiretos que complicam o comércio - se criem condições".

"Estamos a trabalhar para isso, (...) para uma larga exportação de produtos alimentares ucranianos e russos e para que os fertilizantes russos possam inverter a atual situação de subida dos preços e, pelo contrário, criar condições para que os mercados dos produtos alimentares se estabilizem. E a questão dos adubos é essencial. Hoje temos fundamentalmente um problema de acesso. Os alimentos existem, mas não há acesso a eles", reforçou.

Guterres alertou para as consequências caso não existam adubos disponíveis no mercado.

Para o próximo ano "poderemos ter um grave problema de escassez de alimentos", prosseguiu.

Tendo em conta a importância dos Oceanos para a circulação de bens alimentares, António Guterres acredita que a Conferência dos Oceanos, que decorrerá em Lisboa entre 27 de junho e 01 de julho, coorganizada por Portugal e pelo Quénia, poderá resultar em contribuições a médio prazo para a crise alimentar que está a afetar o mundo.

"Contribuições a médio prazo? Com certeza. Quando se aumentam as áreas marítimas sob reserva, sob proteção, o que verificamos é que isso permite um crescimento muito grande em termos de biodiversidade. E, normalmente, as pescas nas zonas vizinhas tendem a aumentar imenso a sua produtividade. Portanto, ter Oceanos limpos e ter Oceanos bem apoiados em todos os aspetos, travar as alterações climáticas, tudo isso contribui para ajudar a resolver as crises alimentares. O clima tem um efeito devastador também do ponto de vista alimentar", sustentou.

A ofensiva militar da Rússia na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, perturbou o equilíbrio alimentar global e está a levantar temores de uma crise que já está a afetar, em particular, os países mais pobres.

Juntas, a Ucrânia e a Rússia produzem quase um terço do trigo e da cevada do mundo e metade do óleo de girassol, enquanto a Rússia e a sua aliada Bielorrússia são dos maiores produtores mundiais de potássio, um ingrediente-chave de fertilizantes.

Nesse sentido, a guerra levou a um aumento nos preços mundiais de cereais e óleos, cujos valores superaram os alcançados durante as Primaveras Árabes de 2011 e os "motins da fome" de 2008 em África, na Ásia e na América Latina.

Leia Também: Guterres lamenta uso de guerra para corrida a combustíveis fósseis

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