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Crise alimentar? Moscovo poderá ajudar "se as sanções forem levantadas"

O presidente russo, Vladimir Putin, disse na quinta-feira estar pronto para ajudar a "superar a crise alimentar" provocada pelo bloqueio de cereais ucranianos e russos devido ao conflito na Ucrânia, se as sanções ocidentais contra Moscovo forem levantadas.

Crise alimentar? Moscovo poderá ajudar "se as sanções forem levantadas"
Notícias ao Minuto

22:40 - 26/05/22 por Lusa

Mundo Vladimir Putin

A Rússia "está pronta para dar uma contribuição significativa para superar a crise alimentar através da exportação de grãos e fertilizantes, sujeita ao levantamento de restrições politicamente motivadas pelo Ocidente", disse Putin, de acordo com um comunicado do Kremlin, durante um telefonema com o primeiro-ministro de Itália, Mario Draghi.

A conversa ocorreu por iniciativa de Mario Draghi.

O chefe de Estado russo assegurou que as acusações ocidentais de que Moscovo, desde a sua ofensiva na Ucrânia, bloqueou as exportações de cereais ucranianos são "infundadas".

"As dificuldades que surgiram estão ligadas, entre outras coisas, a interrupções no funcionamento das cadeias produtivas e logísticas, bem como à política financeira dos países ocidentais durante a pandemia do novo coronavírus", indicou.

"A situação agravou-se devido às restrições antirrussas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia", frisou, referindo-se aos pacotes de sanções sem precedentes que atingiram a Rússia.

A Ucrânia, grande exportadora de cereais, especialmente milho e trigo, viu a sua produção bloqueada devido ao conflito.

Por seu lado, a Rússia, outra potência cerealífera, não pode vender a sua produção e os seus fertilizantes por causa das sanções ocidentais que afetam os setores financeiro e logístico. Ambos os países produzem um terço do trigo do mundo.

Vladimir Putin também informou Mario Draghi "do trabalho em andamento para estabelecer uma vida pacífica nas cidades libertadas do Donbass" e que o processo de paz foi "congelado por Kiev".

Mario Draghi, por sua vez, declarou numa conferência de imprensa que "o objetivo do telefonema foi perguntar se poderia ser feita alguma coisa para desbloquear o trigo que hoje está nos depósitos na Ucrânia".

O primeiro-ministro italiano sugeriu uma "colaboração entre a Rússia e a Ucrânia no desbloqueio dos portos do mar Negro", onde se encontra o trigo, que corre o risco de apodrecer, "para, por um lado, desminar esses portos e, por outro, para garantir que não haja escaramuças durante a remoção de minas".

Mario Draghi disse que do lado russo havia "disposição para continuar nessa direção" e que iria conversar com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky "para ver se há uma vontade semelhante".

"Quando me perguntam se vi algum vislumbre de esperança de paz, a resposta é não", concluiu o governante italiano.

Leia Também: "Putin tem de perder". Reino Unido pede apoio de "todos" para a Ucrânia

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