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As memórias da única sobrevivente da queda de avião em Comores

Todos os outros 152 passageiros acabaram por morrer na sequência da queda do avião no mar. Uma das vítimas era a sua mãe.

As memórias da única sobrevivente da queda de avião em Comores

Bahia Bakari, agora com 25 anos de idade, participou na segunda-feira num julgamento contra a companhia aérea Yemenia Airways, responsável pelo acidente que aconteceu, em 2009, nas ilhas Comores, no Oceano Índico. Na altura com 12 anos, a jovem foi a única sobrevivente, tendo agora sido obrigada a recordar publicamente, pela primeira vez, a dolorosa experiência.

Todos os outros 152 passageiros acabaram por morrer na sequência da queda do avião no mar. 66 deles eram franceses. "Não vi como poderia ultrapassar isto", disse Bahia Bakari perante o tribunal, descrevendo as horas que passou dentro de água, agarrada a um pedaço de lixo e com o "sabor do combustível do avião na boca".

A menina, no dia 29 de junho de 2009, abandonaria a cidade francesa de Paris acompanhada da sua mãe e com destino às ilhas Comores, onde deveriam marcar presença no casamento do avô. Acabariam por trocar de avião na capital do Iémen, Sana'a, para prosseguirem para a última etapa da viagem.

"Era um avião mais pequeno, havia moscas no interior e cheirava fortemente a casa de banho", contou a jovem. Ainda assim, "o voo decorreu normalmente", até ao início da descida da aterragem. Nesse momento, o voo 626 da Yemenia Airways com destino a Moroni, a capital das ilhas Comores, despenhou-se no Oceano Índico.

"Comecei a sentir a turbulência, mas ninguém estava a reagir muito, por isso disse a mim próprio que tinha de ser normal", prosseguiu a testemunha. Mas, de repente, algo mudou: "senti algo como um choque elétrico a atravessar o meu corpo", explicou perante os presentes. "Há um buraco negro entre o momento em que estava sentada no avião e o momento em que me encontrei na água".

Acabaria, depois, por recuperar a consciência, recordando agora que acabaria por esperar horas dentro de água. Tentou escalar até ao maior pedaço de destroços que conseguiu alcançar, embora sem sucesso.

"Percebi que as vozes pediam ajuda em comoriano e gritei um pouco, mas sem muita esperança, porque não havia nada além de água à minha volta e eu não conseguia ver ninguém", contou a jovem. "Acabei por adormecer enquanto me agarrava aos destroços do avião", lembrou ainda.

A testemunha recordou que, naquele momento, foi pensando constantemente na sua mãe "incrivelmente protetora", tendo acabado por ser resgatada por um barco cerca de 12 horas depois. Inicialmente, a jovem estava convencida de que "era a única" que tinha caído ao mar e que todos os outros passageiros estavam em segurança. Mas, chegada ao hospital, um psicólogo informou-a de que era a única sobrevivente.

"A coisa mais difícil para mim tem sido lidar com o luto pela minha mãe", explicou ainda Bahia Bakari, acrescentando que "isto foi, antes de mais nada, uma tragédia".

Recorde-se que os investigadores e peritos envolvidos na avaliação do caso concluíram que não existia qualquer problema com o avião. A culpa foi atribuída, assim, a "ações inapropriadas da tripulação durante a aproximação ao aeroporto de Moroni, levando-a a perder o controlo" do aparelho.

A Yemenia Airways está, na sequência deste caso, acusada de homicídio involuntário e de ferimentos involuntários. Os advogados da empresa continuam a negar qualquer ato ilícito.

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