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Países africanos abordam conservação do elefante em conferência polémica

Representantes dos ministérios do Ambiente de 14 países africanos iniciaram hoje uma conferência no Zimbabué, para analisar a conservação do elefante, enfrentando críticas de grupos conservacionistas que temem um ressurgimento do comércio internacional de marfim.

Países africanos abordam conservação do elefante em conferência polémica
Notícias ao Minuto

16:29 - 23/05/22 por Lusa

Mundo África

A Conferência de Conservação do Elefante Africano, a que assistem também Japão e China, considerados mercados potenciais para o marfim, decorre até quinta-feira num hotel próximo do Parque Nacional de Hwange (noroeste).

Na abertura do fórum, Munesu Monodawafa, alto funcionário do Ministério do Ambiente do Zimbabué, afirmou ser possível atingir uma declaração que aborde o futuro da conservação, "que não tenha vergonha de dizer o que devemos defender enquanto promovemos a conservação na África Austral".

Esta posição comum, chamada Declaração de Hwange, deverá ser apresentada na 19.ª Conferência das Partes (COP19) da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES, na sigla inglesa), agendada para novembro, no Panamá.

Tal declaração, que poderia incluir um pedido de venda isolada de marfim por alguns dos países participantes, falaria pelas pessoas "que foram privadas dos seus direitos por uma instituição à qual nos juntamos voluntariamente", disse Monodawafa, citado pela agência Efe.

O funcionário refere-se à CITES, que proibiu o comércio de marfim em 1989 e, em 2019, também interditou os países africanos de exportarem elefantes vivos para nações fora de África.

Antes da entrada em vigor deste limite, dezenas de jovens elefantes foram exportados para a China e Emirados Árabes Unidos pelo Zimbabué, que na semana passada ameaçou abandonar a CITES.

O país assegurou também que possui, em armazéns de alta segurança, mais de 130 toneladas de marfim obtido de animais que morreram por causas naturais ou confiscado a caçadores furtivos.

O Zimbabué quer vender esta matéria-prima para financiar os custos de conservação e dos conflitos entre agricultores e animais selvagens, mas não pode fazê-lo sem contradizer as normas atuais da CITES.

Juntamente com os vizinhos Botsuana e Namíbia, argumenta que está a ser injustamente castigado por gerir de forma eficaz a vida selvagem, lembrando o crescimento do número de elefantes, não obstante a espécie manter-se em perigo de extinção devido à caça furtiva noutras áreas de África.

Porém, vários grupos de defesa do ambiente e direitos dos animais criticaram a conferência, advertindo que mesmo as vendas isoladas tenderiam a impulsionar o comércio ilegal de marfim.

Numa declaração conjunta, 45 organizações conservacionistas concordaram que a reunião provavelmente enviará "um sinal perigoso aos caçadores furtivos e máfias de que os elefantes são meras mercadorias e de que o comércio de marfim poderá reinstalar-se, aumentando a ameaça para a espécie".

Segundo estes grupos, ambas as vendas isoladas autorizadas pela CITES em 1999 e 2008, nas quais participaram Botsuana, Namíbia, África do Sul e Zimbabué, resultaram numa escalada da caça furtiva para abastecer o mercado negro.

A seguir ao Botsuana, que alberga 130.000 elefantes, o Zimbabué possui a maior população, com 90.000 espécimes.

O país declarou que só tem espaço e recursos para manter 45.000 elefantes, e que os elevados números atuais estão a provocar conflitos entre agricultores e animais, implicando a perda de colheitas ou de vidas humanas.

Em 10 de maio, o porta-voz do Governo do Zimbabué, Nick Mangwana, indicou que 60 pessoas morreram e 50 ficaram feridas em ataques de elefantes desde o início do ano.

Leia Também: Zimbabué quer vender marfim apreendido para controlar elefantes

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