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ONG pede novas estratégias face ao alerta de fome em Cabo Delgado

A organização não-governamental Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD) reclamou hoje estratégias alternativas para fazer face ao alerta de fome entre as comunidades afetadas pela violência armada em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique.

ONG pede novas estratégias face ao alerta de fome em Cabo Delgado

Perante o "alerta de fome no norte de Moçambique, particularmente em Cabo Delgado, o Governo deve encontrar alternativas para garantir a assistência alimentar aos mais de 850 mil deslocados", lê-se no boletim sobre direitos humanos distribuído pela organização.

Em causa está o alerta da Rede de Alerta Antecipado de Fome (rede Fews, na sigla inglesa) sobre a situação de crise alimentar no norte de Moçambique em resultado da escassez de fundos entre as agências das Nações Unidas.

Segundo o CDD, a falta de fundos pode obrigar as agências das Nações Unidas a prestarem "assistência humanitária seletiva", dando a prioridade aos mais vulneráveis entre as comunidades afetadas pelo conflito.

"A limitação de recursos nos meses de abril e maio levou o Programa Alimentar Mundial (PAM) a distribuir metade de rações - equivalentes a 39% de uma dieta de 2.100 quilocalorias - a cerca de 850 mil pessoas em Cabo Delgado e 74 mil em Nampula e Niassa", acrescenta o CDD, citando dados daquela agência das Nações Unidas.

A organização reitera que o executivo moçambicano deve definir novas estratégias para fazer face à situação.   

"O alerta de risco elevado de fome deve servir de aviso para as autoridades moçambicanas definirem uma estratégia de assistência alimentar aos deslocados, num contexto em que as agências humanitárias estão com limitações financeiras", concluiu o CDD.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há 784 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.

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