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Hotéis no Qatar voltam atrás e impedem reservas a casais homossexuais

A FIFA garantiu que casais homossexuais poderiam reservar quartos no país, apesar da homossexualidade ser crime no Qatar. Menos de metade dos hotéis recomendados pela organização não impõe barreiras à reserva de quartos por casais gay.

Hotéis no Qatar voltam atrás e impedem reservas a casais homossexuais

Pelo menos três hotéis recomendados pela FIFA no Qatar vão recusar o alojamento a casais homossexuais durante o Mundial de Futebol, apesar da organização ter garantido que seriam permitidas entradas seguras à comunidade LGBT+.

A homossexualidade no Qatar é crime, punível com um a três anos de prisão e uma elevada multa. A justiça qatari, que aplica a lei sharia, também prevê pena de morte para quem for homossexual, apesar da mesma não ser aplicada. Uma relação sexual que não seja entre um homem e uma mulher vale até sete anos de prisão.

Um conjunto de três televisões escandinavas, a NRK (Noruega), a SVT (Suécia) e a DR (Dinamarca), noticiaram que pelo menos três dos 69 hotéis no Qatar iriam impedir reservas de casais que se assumam como homossexuais e casados.

Estes hotéis são recomendados pela FIFA no seu site. Questionada pelas televisões, a FIFA garantiu num e-mail estar "confiante de que todas as medidas necessárias serão postas em prática para apoiantes LGBT+, para que possam, como todos os outros, sentir-se bem-vindos e seguros durante o campeonato".

Além desses três hotéis, 20 outros estabelecimentos responderam que permitiram reservas, mas com recomendações para que as pessoas não "aparentem" ser homossexuais. Um dos hotéis contou que houve "incidentes em que a polícia prendeu qataris que estavam a ter relações homossexuais".

Outro hotel foi ainda mais longe na especificidade dos seus critérios, escrevendo na sua resposta que se alguém "colocar maquilhagem e vestir-se de 'forma gay', irá contra a política do estado e do governo", e que dará quarto apenas a quem "se vestir de forma apropriada e não demonstrar comportamentos sexuais ou beijos em público".

Menos de metade dos hotéis, 33, garantiu não ter problemas em permitir que casais homossexuais reservem quartos.

O Mundial no Qatar arranca no inverno, mas a organização tem sido marcada por ataques aos direitos humanos e tentativas da FIFA de desvalorizar as condições dos trabalhadores que construíram os estádios e as infraestruturas para o evento.

No início do mês, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, desvalorizou as milhares de mortes de trabalhadores durante os trabalhos de construção, e elogiou o alegado progresso do país no que diz respeito às condições de trabalho. "Quando se dá um emprego a alguém, mesmo que as condições sejam duras, damos dignidade e orgulho. Não é caridade", disse o dirigente.

Infantino acrescentou ainda, quando questionado sobre os seis mil trabalhadores mortos, que estes podiam "estar a morrer noutros lugares". "A FIFA não está aqui para ser a polícia do mundo nem é responsável por tudo o que acontece, mas graças a si e ao futebol, contribuiu para uma mudança social positiva no Qatar", reafirmou.

Várias organizações não governamentais repudiaram a resposta do presidente da FIFA, como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional. Muitos dos trabalhadores que construíram os estádios são migrantes, provenientes de países em guerra, e operaram sob condições precárias e com pouca segurança, incluindo debaixo do calor abrasador que atinge o país.

Leia Também: Presidente da FIFA elogia avanços em matéria de direitos humanos no Qatar

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