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Jornalista turco-alemão vai recorrer de sentença "dececionante"

O jornalista turco-alemão Deniz Yücel anunciou hoje que vai recorrer de parte da sentença "dececionante" do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), que condenou a Turquia a indemnizá-lo pelo ano que passou detido acusado de propaganda terrorista.

Jornalista turco-alemão vai recorrer de sentença "dececionante"
Notícias ao Minuto

19:39 - 25/01/22 por Lusa

Mundo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos

Na sua conta na rede social Twitter, Yücel admitiu tratar-se de "um bom veredicto", na medida em que confirma que todo o procedimento foi ilegal, mas criticou a decisão do tribunal por não reconhecer que foi submetido a tortura através de um confinamento solitário de nove meses e de "abusos físicos e psicológicos".

"Também dececionante e surpreendente é a recusa do TEDH em reconhecer a motivação política do processo, apesar de tudo o que está relacionado com o julgamento, incluindo as circunstâncias da minha libertação, tenha motivação política", argumentou Yücel, anunciando que vai recorrer desta parte da sentença.

O TEDH determinou hoje que, com a prisão do jornalista, em 2017 e 2018, a Turquia violou o direito à liberdade de opinião, bem como o direito de Yücel à liberdade, à segurança e a uma indemnização por ter sido preso injustamente, exigindo a Ancara que o compense com 13.300 euros.

Yücel, 48 anos, que em 2016 fez a cobertura para o jornal alemão Die Welt da repressão generalizada após o golpe fracassado contra o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, "foi detido e mantido em prisão preventiva sem razões plausíveis para suspeitar que tivesse cometido uma ofensa penal", considerou o TEDH em comunicado.

"A privação de liberdade pode ser considerada como uma 'ingerência' no exercício deste último do seu direito à liberdade de expressão", sublinhou o TEDH.

Em fevereiro de 2017, a prisão de Yücel gerou uma onda de indignação e mobilização na Alemanha e afetou as relações entre os dois países, ligados em particular pela presença de três milhões de turcos em território alemão.

Libertado em fevereiro de 2018, Yücel foi autorizado a deixar a Turquia e a viajar para a Alemanha, o que permitiu uma distensão nas relações entre os dois países.

Em maio de 2019, o Tribunal Constitucional turco considerou que Yücel foi vítima da violação do seu direito à liberdade e segurança, bem como do seu direito à liberdade de expressão e de imprensa.

Em julho de 2020, contudo, um tribunal de Istambul condenou-o à revelia a dois anos, nove meses e 22 dias de prisão por "propaganda terrorista" para o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado um grupo "terrorista" por Ancara, após um julgamento que provocou novas tensões diplomáticas entre a Turquia e a Alemanha.

O jornalista, que tem dupla nacionalidade, argumentou sempre que uma entrevista realizada a um dirigente do PKK se insere na sua atividade jornalística.

Também em julho de 2020, o Governo alemão protestou contra a "inexplicável" condenação na Turquia do jornalista turco-alemão e advertiu que a sentença impedia uma "normalização" das relações de Ancara com Berlim e com a União Europeia (UE).

Leia Também: Tribunal europeu condena Turquia por prisão de jornalista turco-alemão

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