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Afegãs que trabalham para ONGs ameaçadas de morte se não usarem burca

A polícia religiosa dos Talibãs ameaçou matar mulheres afegãs que trabalham para organizações não governamentais (ONGs), numa província do noroeste do Afeganistão, se não usarem burca, descobriram hoje funcionários daquelas entidades, que pediram o anonimato por razões de segurança.

Afegãs que trabalham para ONGs ameaçadas de morte se não usarem burca

"Disseram-nos [...] que, se as funcionárias chegassem ao escritório sem usar a burca, as matariam", disse uma das fontes.

Os Talibãs também exigiram que as mulheres fossem acompanhadas por homem, acrescentou.

A segunda fonte humanitária confirmou a informação.

"[Os Talibãs] também disseram que iriam a todos os escritórios sem aviso prévio para garantir que as regras fossem seguidas", explicou.

Representantes do Ministério de Promoção da Virtude e Prevenção do Vício na província de Badghis reuniram-se com ONGs no domingo passado, disseram à agência de notícias AFP dois membros locais de organizações internacionais.

Uma nota por escrito foi enviada às ONGs que atuam na província. Não contém ameaças, mas pede às mulheres que usem véu.

Hoje, os Talibãs também organizaram uma manifestação de cerca de 300 homens em Cabul, manifestando apoio à lei islâmica Sharia.

Os manifestantes acusaram as ativistas feministas, que regularmente realizam pequenos comícios na capital afegã, de serem "mercenárias vendidas ao Ocidente".

A burca é um véu completo com uma grade de tecido na altura dos olhos, tradicionalmente usado há décadas nas áreas mais conservadoras do país, e cujo uso era obrigatório durante o primeiro regime talibã (1996-2001).

Fundamentalistas islâmicos, que em grande parte calcaram os direitos humanos quando chegaram ao poder, assumiram o país em meados de agosto, após 20 anos de conflitos armados.

Se os talibãs, que procuram ser reconhecidos pela comunidade internacional, afirmam ter se modernizado, têm gradualmente excluído as mulheres da vida pública, despertando a preocupação da comunidade internacional.

Assim, as mulheres permanecem excluídas do emprego público, não podem andar sozinhas sem estarem acompanhadas por um parente do sexo masculino e as escolas secundárias para as raparigas continuam encerradas.

Leia Também: Delegação talibã vai à Noruega para reuniões sobre crise humanitária

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