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Kiev acusa Moscovo de aumentar apoio militar a separatistas no leste

As autoridades ucranianas acusaram hoje Moscovo de aumentar as entregas de armas e equipamentos militares aos separatistas pró-russos no leste da Ucrânia, numa altura em que sobem os receios de uma invasão russa.

Kiev acusa Moscovo de aumentar apoio militar a separatistas no leste
Notícias ao Minuto

12:13 - 21/01/22 por Lusa

Mundo Ucrânia

"O comando das forças armadas russas continua a fortalecer as capacidades de combate" dos separatistas no leste da Ucrânia, enviando-lhes tanques, sistemas de artilharia e munições, indicou, num comunicado, o serviço de informações militares ucraniano.

Desde o início do ano, as autoridades russas entregaram "secretamente" por transporte ferroviário e rodoviário a partir do território russo "mais de sete toneladas de combustível, vários tanques e sistemas de artilharia, outras armas e munições", pormenorizou o departamento tutelado pelo Ministério da Defesa ucraniano.

Kiev também acusou Moscovo de "recrutar ativamente mercenários" na Rússia e formá-los em centros de treino para os enviar para o leste da Ucrânia para combater ao lado das forças separatistas.

As declarações surgem numa altura em que se regista um aumento da tensão sem precedentes com a Rússia, acusada por Kiev e também por países ocidentais de estar a preparar uma invasão da Ucrânia.

O leste da Ucrânia tem sido desde 2014 palco de uma guerra com separatistas pró-russos, em que Moscovo é amplamente considerado como o patrocinador militar.

Este conflito armado que matou mais de 13.000 pessoas eclodiu logo após a anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia.

Hoje, em Moscovo, o Kremlin (Presidência russa) evitou comentar a proposta de reconhecimento das autoproclamadas repúblicas separatistas pró-russas de Donetsk e Lungansk, no leste da Ucrânia, uma iniciativa apresentada pelo Partido Comunista russo, e pediu que sejam evitadas medidas que aumentem as tensões entre a Rússia e a Ucrânia.

"Não vou falar sobre a validade desta questão, nem comentar esta iniciativa. Mas gostaria de observar que, neste momento, quando a situação é tão tensa, é muito importante evitar medidas que possam causar um aumento das tensões", disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, na habitual conferência de imprensa diária.

Na quinta-feira, o grupo parlamentar comunista apresentou um projeto de resolução para solicitar oficialmente ao chefe de Estado da Rússia, Vladimir Putin, o reconhecimento da independência das entidades separatistas pró-russas, após o que o presidente da Duma (câmara baixa do Parlamento russo), Viacheslav Volodin, anunciou consultas sobre a questão.

Peskov pediu aos deputados que estejam "conscientes da responsabilidade" e que tomem "medidas equilibradas que levem em consideração as atuais tensões", instando os autores da proposta para que "não aproveitem a situação para obter ganhos políticos".

De qualquer forma, o porta-voz da Presidência russa pediu para se aguardar a decisão da câmara baixa do parlamento russo a esse respeito.

Também hoje, Viacheslav Volodin adiantou que a proposta comunista já conta com o apoio de dois outros grupos parlamentares, o da Rússia Justa e o do ultranacionalista Partido Liberal Democrata.

O presidente da Duma indicou que o partido no poder, o Rússia Unida, com uma maioria esmagadora na Duma, também está preocupado com a defesa dos cidadãos russos que vivem na região de Donbass (leste ucraniano).

Por outro lado, o porta-voz do Kremlin também comentou a iniciativa do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que se ofereceu para mediar o conflito entre a Ucrânia e a Rússia e convidou os Presidentes dos dois países, Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin, respetivamente, para se encontrarem na Turquia.

Peskov observou que Moscovo ainda não recebeu nenhum convite oficial de Ancara, mas que o Kremlin ouviu as declarações de Erdogan e que saúda "qualquer esforço destinado a reduzir as tensões na Ucrânia".

"Também ouvimos as declarações dos nossos colegas turcos, que também estão prontos para convidar representantes do Donbass, o que é um elemento muito importante. Isso chamou a nossa atenção e gostaríamos de saber, neste contexto, se os nossos adversários ucranianos também perceberam isso e qual é a atitude deles sobre a questão", concluiu.

Leia Também: Ucrânia. Lavrov diz a Blinken "não esperar avanços" na reunião em Genebra

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