Meteorologia

  • 17 MAIO 2022
Tempo
17º
MIN 17º MÁX 24º

Luanda Leaks marcou saída de Isabel dos Santos, diz analista

O analista Eugénio Costa Almeida considerou hoje à Lusa que a divulgação das contas conhecidas com 'Luanda Leaks' provocou pouco mais que o fim de uma certa nomenclatura económica e a saída de Isabel dos Santos do país.

Luanda Leaks marcou saída de Isabel dos Santos, diz analista

"Tirando o facto de ter acabado com uma certa nomenclatura económica, não me parece que tenha havido grande desenvolvimento, particularmente em termos de melhorar a classe económica, que permitisse uma substituição daqueles que foram projetados para fora do tecido económico angolano", disse o investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE.

Em declarações à Lusa para assinalar o segundo aniversário dos 'Luanda Leaks', divulgados pela primeira vez a 19 de janeiro de 2020, Costa Almeida diz que "na prática o 'Luanda Leaks' só criou a saída de Isabel dos Santos e de algumas pessoas que estava na área da tutela".

Um consórcio de jornalismo de investigação revelou a 19 de janeiro de 2020 mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de 'Luanda Leaks', que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que estarão na origem da fortuna da família.

Questionado sobre a razão de o espaço deixado vago com a saída de Isabel dos Santos não ter sido preenchido, o académico respondeu: "Nós nunca tivemos em Angola uma classe dirigente e económica forte, assente em empresários, todos aqueles que existiram estava ligados ao poder e todo o dinheiro que conseguiram gerar e obter, segundo se tem vindo a verificar, pelas chamadas nacionalizações ou retorno de capitais, foi de forma ilícita ou irregular, portanto não se criou e não tivemos até agora uma classe empresarial bem sustentada e as novas empresas e empresários que se estão a criar são e continuam a ser sustentados com o apoio do Estado".

Costa Almeida deixa ainda um alerta, quando perguntado sobre se esta falta de novos empresários distantes do poder político pode perpetuar a situação identificada nos documentos divulgados pelo 'Luanda Leaks': "Se nada for feito, poderá acontecer uma vez mais, mas sejamos honestos, o Luanda Leaks nunca foi bem esclarecido nos devidos contornos, tudo o que foi divulgado foi um pouco pela rama, passaram dois anos e ainda hoje se está a nacionalizar capitais de forma irregular e tendo sido tomados irregularmente, compreende-se que tenham de ser devolvidos ao erário público".

O país vive hoje um contexto pré-eleitoral e a oposição uniu-se para derrubar o atual partido no poder. "Este não vai ser o tema principal da campanha, o tema principal será a corrupção e o desemprego, a inflação elevada e o facto de o poder estar num partido desde a independência", considera Eugénio Costa Almeida, concluindo: "A 'Luanda Leaks' já passou de moda".

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ), que integra vários órgãos de comunicação social, entre os quais o Expresso e a SIC, analisou, ao longo de vários meses, 356 gigabytes de dados relativos aos negócios de Isabel dos Santos entre 1980 e 2018, que ajudam a reconstruir o caminho que levou a filha do ex-presidente angolano a tornar-se a mulher mais rica de África, divulgando as principais conclusões no princípio de 2020.

Durante a investigação foram identificadas mais de 400 empresas (e respetivas subsidiárias) a que Isabel dos Santos esteve ligada nas últimas três décadas, incluindo 155 sociedades portuguesas e 99 angolanas.

A empresária angolana reagiu à divulgação considerando que a investigação é baseada em "documentos e informações falsas", num "ataque político" coordenado com o Governo angolano.

"As notícias do ICIJ [Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação] baseiam-se em muitos documentos falsos e falsa informação, é um ataque político coordenado em coordenação com o 'Governo Angolano' (sic). 715 mil documentos lidos? Quem acredita nisso?", reagiu a empresária, em inglês, através da sua conta do Twitter, no próprio dia da divulgação das notícias, acrescentando "#icij #mentiras".

Leia Também: Football Leaks: Rafael Marques realça impacto do Luanda Leaks em Angola

Notícias ao Minuto nomeado para os Prémios Marketeer

O Notícias ao Minuto é um dos nomeados da edição de 2022 dos Prémios Marketeer, na categoria de Digital Media. As votações decorrem até ao próximo dia 31 de maio.

Para nos ajudar a vencer, basta aceder ao site da iniciativa organizada pela revista Marketeer, clicando aqui, e proceder ao preenchimento do formulário, selecionando Notícias ao Minuto na categoria de Digital Media e formalizando depois a votação. Obrigada pela sua preferência!

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Sexto ano consecutivo Escolha do Consumidor e Prémio Cinco Estrelas para Imprensa Online.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download

;
Campo obrigatório