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Iranianos admitem retoma "provável" de negociações sobre o nuclear

As negociações sobre o nuclear iraniano prosseguiram hoje em Viena, antes de uma pausa para permitir aos países europeus analisarem as propostas apresentadas por Teerão, com a "provável" retoma do diálogo na segunda-feira, indicaram fontes iranianas.

Iranianos admitem retoma "provável" de negociações sobre o nuclear
Notícias ao Minuto

16:23 - 03/12/21 por Lusa

Mundo Irão

O anúncio ocorreu após os europeus terem hoje manifestado, na sequência do reinício das conversações em Viena na passada segunda-feira, a sua "deceção e preocupação" pelo curso das negociações, de acordo com responsáveis diplomáticos da França, Alemanha e Reino Unido (E3).

Em Teerão, a agência Irna indicou que as conversações serão "muito provavelmente" retomadas na segunda-feira, mas os peritos devem permanecer em Viena para prosseguir o seu trabalho.

Na quinta-feira, Ali Bagheri, o principal responsável iraniano pelo 'dossier' nuclear, indicou ter apresentado duas propostas para preservar o acordo sobre o programa nuclear de Teerão, no âmbito das conversações de Viena e após cinco meses de interrupção.

"Após a entrega do texto da proposta iraniana ao grupo P4-1 (China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) e União Europeia, irá decorrer na sexta-feira uma reunião da comissão conjunta do acordo sobre o nuclear", precisou a agência oficial Irna.

"Esta reunião foi pedida pela parte europeia antes do regresso dos seus representantes às respetivas capitais para rever o texto proposto pelo Irão", acrescentou.

Segundo Bagheri, a primeira proposta iraniana "resume os pontos de vista da República islâmica sobre o levantamento das sanções e a segunda relaciona-se com as atividades nucleares do Irão".

"A partir de agora, a outra parte deve examinar estes documentos e preparar-se para negociar com o Irão na base dos textos que foram apresentados", especificou.

No entanto, altos responsáveis diplomáticos europeus manifestaram a sua "deceção e preocupação" pelo curso das negociações.

"Teerão insiste na quase totalidade dos compromissos que foram dificilmente admitidos" no decurso do primeiro ciclo de negociações entre abril e junho", declararam.

Segundo estes responsáveis ocidentais, as discussões serão retomadas em meados da próxima semana "para comprovar se estas divergência podem ser ultrapassadas, ou não", acrescentaram.

Mas "não está clara a forma como este distanciamento possa ser resolvido num calendário realista e na base do projeto iraniano", sustentaram.

Apesar destes comentários críticos, os diplomatas europeus continuam a manifestar o seu "pleno empenho na busca de uma solução diplomática". "O tempo urge", insistiram.

Em paralelo, e no decurso de um contacto telefónico com o seu homólogo europeu Josep Borrell, o chefe da diplomacia iraniana, Hossein Amir-Abdollahian, definiu o processo negocial como "positivo, mas globalmente lento", segundo o site do ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros.

"Pensamos que é possível um bom acordo, mas para tal é necessária uma alteração da abordagem de certas partes, que devem abandonar as suas declarações ameaçadoras e optar por documentos centrados na cooperação, respeito mútuo e resultados", prosseguiu a nota do ministério.

Segundo site da diplomacia iraniana, Borrell apelou a todas as partes que "demonstrem flexibilidade durante o prosseguimento das conversações" e "exortou [o negociador europeu Enrique] Mota a trabalhar de forma construtiva e ativa com o principal negociador iraniano e todas as delegações para a obtenção de um acordo".

O designado JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global), concluído em 2015 entre o Irão e seis potências (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), e na presença da União Europeia, está moribundo desde 2018 após a administração do então Presidente dos EUA Donald Trump ter decidido a sua retirada unilateral do acordo e impor a Teerão um verdadeiro bloqueio económico através de pesadas sanções.

Pelo contrário, o acordo de 2015 oferecia a Teerão um levantamento de parte das sanções em troca de uma redução drástica do seu programa nuclear, colocado sob o controlo da ONU.

Em resposta à decisão de Trump, o Irão optou por renunciar aos seus compromissos, e agora exige o fim das sanções como primeira medida para o regresso aos compromissos de 2015.

O atual Presidente norte-americano, Joe Biden, admitiu por sua vez disponibilidade para regressar ao acordo, caso o Irão reimponha as suas restrições nucleares.

Leia Também: EUA sem otimismo sobre regresso do Irão ao acordo nuclear

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