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Ativista dos direitos humanos egípcio multado por alegadas 'fake news'

O diretor da mais importante organização não-governamental de direitos humanos no Egito, Hossan Bahgat, foi hoje multado em 560 euros por ter levantado na rede social Twitter a possibilidade de ter havido fraude nas eleições legislativas de 2020.

Ativista dos direitos humanos egípcio multado por alegadas 'fake news'
Notícias ao Minuto

20:10 - 29/11/21 por Lusa

Mundo Egito

Fonte judicial no Cairo, citada pela agência noticiosa France-Presse (AFP), indicou que o fundador da Iniciativa Egípcia pelos Direitos Pessoais (EIPR, na sigla inglesa), poderá ser condenado a uma pena de prisão até três anos e a uma indemnização de 16.000 euros por "desacatos" e "difusão de falsas informações".

As duas acusações são normalmente utilizadas no Egito contra opositores, segundo têm assegurado várias ONG de direitos humanos, das quais cerca de 50 pediram na semana passada às autoridades egípcias para que "parem de assediar" Bahgat.

As eleições legislativas de 2020 terminaram com uma vitória esmagadora para os partidários do presidente Abdel Fattah al-Sisi. 

No final de outubro, al-Sisi levantou formalmente o estado de emergência em vigor desde 2017, o que conferiu à polícia poderes consideráveis de detenção e vigilância. 

Mas, para os ativistas dos direitos humanos, o fim do estado de emergência não está a pôr fim aos julgamentos em curso de dezenas de ativistas em tribunais especiais. 

Várias figuras da revolução de 2011, incluindo o detido político mais conhecido do Egito, Alaa Abdel-Fattah, estão atualmente em julgamento num tribunal no Cairo por "divulgação de falsas informações". 

Segundo as Nações Unidas, Bahgat, que ainda pode recorrer do veredito de hoje, já está proibido de deixar o país e viu os seus bens congelados por causa de outro processo.

Em 2020, em conjunto com outros membros da EIPR, Bahgat foi detido por um breve período, gerando protestos no estrangeiro.

Para 07 de dezembro próximo está prevista numa nova audiência no julgamento de Patrick Zaki, investigador que colaborou com a EIPR em questões da igualdade de género, preso em fevereiro de 2020 por "terrorismo" ao regressar de Itália, onde estudava.

Na prisão preventiva, dizem os defensores dos direitos humanos, Zaki foi "espancado e torturado com choques elétricos". 

O Egito, que tem mais de 60.000 prisioneiros de consciência, segundo várias ONG, viola os direitos humanos em todas as áreas, razão pela qual Washington congelou 10% da ajuda ao país.

No seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo, o Departamento de Estado norte-americano cita "execuções extrajudiciais", "tortura", "desaparecimentos forçados", "detenções arbitrárias", "censura", "violações aos direitos de reunião e associação", "violência anti-LGBT" e "trabalho infantil forçado". 

Segundo o documento, todas as violações ocorrem "num ambiente de impunidade" criado pelas próprias autoridades egípcias, que não sancionam os responsáveis.

Leia Também: Egito condena a morte 22 'jihadistas', um deles ex-oficial da polícia

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