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Migrações: 'Aita Mari' autorizado a desembarcar 105 pessoas na Sicília

Os 105 migrantes resgatados no Mediterrâneo que se encontravam a bordo do navio humanitário 'Aita Mari' desembarcaram hoje no porto de Trapani, na Sicília (Itália), após a realização de testes à covid-19, que detetaram 16 casos assintomáticos da doença.

Migrações: 'Aita Mari' autorizado a desembarcar 105 pessoas na Sicília

Após seis dias de espera para obter uma autorização de desembarque num porto europeu seguro, a organização não-governamental (ONG) espanhola Salvamento Marítimo Humanitário anunciou hoje de manhã que o navio 'Aita Mari' tinha recebido, no domingo, a autorização das entidades italianas para se dirigir para o porto de Trapani e para proceder posteriormente, após a realização de testes médicos à tripulação e às pessoas resgatadas, ao desembarque.

"Os menores não acompanhados vão para um centro juvenil e os adultos serão transferidos para um 'ferry' para completar um período de quarentena. Todos poderão descansar numa cama seca e segura pela primeira vez em muito tempo", informou a ONG espanhola através das redes sociais.

Os 105 migrantes, incluindo oito menores, foram resgatados pelo 'Aita Mari' na passada segunda-feira (dia 18 de outubro) quando se encontravam numa embarcação de madeira à deriva no Mediterrâneo, numa zona de Salvamento e Resgate (SAR) que está sob a jurisdição de Malta.

"Pudemos testemunhar os seus relatos de maus-tratos e de tortura em centros de detenção líbios", afirmou o coordenador da ONG espanhola e primeiro oficial da tripulação do 'Aita Mari', Iñigo Mijangos, num vídeo divulgado igualmente nas redes sociais.

O representante também criticou o que classificou como "a política migratória cruel da União Europeia (UE)", que obrigou o navio humanitário, segundo frisou, "a permanecer em alto mar, em águas internacionais, até que fosse acordado um porto de desembarque".

Nos últimos tempos, e perante a ausência de resposta por parte das autoridades de Malta aos pedidos dos navios de resgate humanitário, Itália tem assumido todo o fluxo de migrantes da rota central do Mediterrâneo, uma das rotas migratórias mais mortais, que sai da Líbia, Argélia e da Tunísia em direção aos territórios italiano e maltês.

Foi o caso recente do navio 'Sea-Watch 3', da ONG alemã Sea-Watch, que obteve, na passada sexta-feira, a autorização de Itália para atracar e desembarcar no porto de Pozzallo (Sicília) os 406 migrantes resgatados que tinha a bordo há vários dias.

A Guarda Costeira italiana anunciou hoje que coordenou, no sábado, o resgate de outros 339 migrantes que estavam a bordo de uma embarcação de pesca ao largo da cidade costeira italiana de Roccella Ionica (Calábria, sul), tendo ainda informado que estas pessoas foram transportadas para o porto de Crotona.

"A barcaça, que tinha zarpado de Tobruk (nordeste da Líbia), foi resgatada ao largo de Roccella Ionica em condições meteorológicas e marítimas adversas, que estavam a deteriorar-se de forma considerável", explicaram as autoridades italianas num comunicado, no qual destacaram a cooperação com uma unidade naval romena da Frontex (Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira).

Entretanto, um outro navio humanitário, o 'Geo Barents' da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), aguarda neste momento uma autorização de desembarque num porto europeu.

A bordo do 'Geo Barents' estão 376 migrantes resgatados durante o fim de semana na rota central do Mediterrâneo.

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