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Autoridades nigerianas disparam gás lacrimogéneo em manifestação

Agentes da polícia nigeriana dispararam hoje gás lacrimogéneo sobre manifestantes em Lagos, a maior cidade do país, enquanto tentavam dispersar centenas de pessoas que se manifestavam contra a alegada brutalidade policial.

Autoridades nigerianas disparam gás lacrimogéneo em manifestação
Notícias ao Minuto

15:47 - 20/10/21 por Lusa

Mundo Nigéria

Em outubro do ano passado, milhares de pessoas marcharam na Nigéria através do movimento '#EndSARS', contra o Esquadrão Especial Antirroubo (SARS, em inglês), uma força policial acusada por grupos de defesa dos direitos humanos de ter matado e torturado cidadãos nigerianos.

Hoje, a polícia atirou gás lacrimogéneo na portagem de Lekki, um local fundamental nesses protestos, noticia hoje a agência Associated Press (AP), que cita testemunhas.

Enquanto as pessoas fugiam, um agente disparou contra um manifestante enquanto o tentava deter, segundo Lawrence Akinkpelumi, que esteve presente nos protestos.

Os relatos sobre a brutalidade policial na Nigéria são recorrentes, acusando as autoridades de reprimirem, com frequência, os nigerianos que se manifestam contra a polícia.

Nas vésperas da manifestação de hoje, a polícia alertou os manifestantes sobre qualquer ajuntamento em público, ameaçando prender quem desobedecesse à diretiva.

Os manifestantes marcharam através da portagem de Lekki cantando e entoando gritos de apelo às autoridades para que estas garantam justiça pelas mortes e detenções feitas pelas forças de segurança no ano passado.

Pelo menos quatro manifestantes foram detidos em Lagos quando os manifestantes começaram a chegar à portagem de Lekki, para assinalarem o aniversário, tendo outros sido detidos e colocados em carrinhas da polícia enquanto as autoridades disparavam gás lacrimogéneo para o ar.

Shuaibu Yakubu, 23 anos, afirmou que foi atingido nos olhos pelo gás.

"Começaram a disparar gás lacrimogéneo contra nós e a perseguir pessoas que vieram aqui para se lembrarem dos mortos em outubro de 2020. Os meus olhos estão cheios de gás lacrimogéneo", disse, citado pela AP.

O movimento '#EndSARS' ganhou notoriedade nas redes e plataformas sociais e acabou por se transformar num protesto contra as autoridades, gerando as maiores manifestações antigovernamentais na história recente da Nigéria.

A contestação, que contou com uma forte mobilização de jovens, teve início depois de um vídeo de agressões alegadamente cometidas por membros do SARS ter sido divulgado nas redes sociais.

Como resposta aos protestos, o Governo nigeriano anunciou, há um ano, que iria desmantelar esta força policial, mas tal não foi suficiente para demover os manifestantes, que continuaram a reclamar o fim das agressões por parte das forças de segurança.

De acordo com a organização Amnistia Internacional, pelo menos 56 pessoas morreram desde o início dos protestos, em 08 de outubro, incluindo 38 em 20 de outubro, na praça Lekki, em Lagos.

Desde então foram constituídas comissões de inquérito para investigar a violência policial e os acontecimentos de 20 de outubro, mas as audiências têm sido interrompidas de forma frequente.

Os protestos realizaram-se um pouco por todo o país, que conta com uma população superior a 196 milhões de pessoas, com principal destaque para a maior cidade, Lagos, a capital, Abuja, e outras importantes cidades, como Port Harcourt, Calabar, Asaba e Uyo.

Leia Também: HRW denuncia falta de justiça para vítimas de repressão na Nigéria

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