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Morreu o cónego Alexandre Mendonça, mentor da comunidade luso-venezuelana

Morreu hoje em Caracas o cónego Alexandre Mendonça, 67 anos, diretor da Missão Católica Portuguesa, um devoto de Nossa Senhora de Fátima que durante mais de 33 anos de sacerdócio se destacou como mentor da comunidade luso-venezuelana.

Morreu o cónego Alexandre Mendonça, mentor da comunidade luso-venezuelana
Notícias ao Minuto

23:23 - 13/10/21 por Lusa

Mundo Covid-19

A morte de Alexandre Mendonça foi confirmada à Agência Lusa por fontes próximas do sacerdote, precisando que esteve internado em setembro por motivos relacionados com a Covid-19 e que teve uma recaída que o levou novamente a uma clínica de Caracas.

Alexandre João Mendonça de Canha, nasceu em São Pedro do Funchal, Madeira e emigrou para a Venezuela aos 12 anos de idade, onde se fez sacerdote, concretizando "a coisa mais linda e importante" da sua vida.

"A minha vocação nasceu comigo, desde que abri os olhos ao mundo sempre quis ser sacerdote, mas só aos 26 anos é que entrei para o seminário por causa da difícil situação económica dos meus pais" explicou à Agência Lusa durante a celebração do aniversário da sua ordenação sacerdotal.

Mas, Alexandre Mendonça tinha ainda um outro motivo de alegria, inspiração e paz, os presépios. Era detentor de uma coleção de quase 400 exemplares, de diferentes tamanhos e países.

Desde a chegada da pandemia da covid-19, em março de 2020 que passava os dias fechado, na parte residencial da Ermida de Nossa Senhora de Coromoto e Fátima, em San Bernardino, cujos acessos foram restringidos por ficar no começo da Avenida Boyacá, uma autoestrada que une, pelo norte, o oeste e o leste de Caracas.

Mesmo assim, aos fins de semana, gravava missas que fazia chegar à comunidade portuguesa através do WhatsApp.

"A pandemia da covid-19 é uma desgraça a nível mundial, mas uma desgraça maior para a Venezuela, por esse mar de carências praticamente em todos os âmbitos", desabafou em uma oportunidade à Agência Lusa.

Mendonça mostrou-se preocupado, várias vezes, pelas carências da comunidade lusa local e pela situação de insegurança no país, chegando mesmo a afirmar que "a pior desgraça da Venezuela é que estamos destruindo, não estamos construindo, e até que não se reencontrem todos como um só povo haverá realmente situações muito difíceis".

O sacerdote alertava ainda que a situação polarizada, com discursos extremados entre os apoiantes do governo e da oposição, aumentava o caos no país.

Devoto de Nossa Senhora de Fátima, Mendonça, abriu as portas da Missão Católica Portuguesa para acolher dezenas de compatriotas que perderam as suas casas e familiares durante as enxurradas de finais de 1999 no estado venezuelano de Vargas.

Durante mais de 15 anos foi mentor de Campo Rico, uma paróquia popular de gente muito pobre e exerceu funções como ecónomo do arcebispado de Caracas, diretor da Casa Sacerdotal (que acolhe sacerdotes doentes) e capelão de vários organismos de segurança pública venezuelanos.

Em dezembro de 2016, o arcebispo de Caracas, Jorge Urosa Savino (1942-2021), conferiu-lhe o título honorífico de cardeal.

Em junho de 2019, foi condecorado com a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, durante em ocasião do Dia de Portugal, aproveitando a ocasião para apelar aos lusitanos a dar atenção aos mais vulneráveis, em particular os anciãos luso-venezuelanos.

Mendonça foi condecorado como comendador da República de Portugal (1997) e com a ordem Cecílio Acosta em primeira classe (1999) pelas autoridades do Estado de Miranda (Venezuela). Em 2006 foi declarado "madeirense ilustre" e agraciado com uma medalha e um galardão pela Comissão Pró- Celebração do Dia da Região Autónoma da Madeira em Caracas.

Presidiu a Fundação Virgem de Fátima e foi assessor do Movimento Sacerdotal Mariano. Também foi guia espiritual de associações de beneficência e colégios, do Centro Português (Macaracuay) e do Centro Marítimo da Venezuela (Turumo).

Também recebeu a Cruz da Polícia Metropolitana de Caracas, em segunda e terceira classe.

Em 2006 foi condecorado pelo Centro Português de Caracas com a Ordem Grande Cordão João Fernandes de Leão Pacheco.

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