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EUA ordenam investigação à violência contra haitianos na fronteira

O secretário da Segurança Nacional dos Estados Unidos ordenou hoje uma rápida investigação à "violência desnecessária" utilizada por agentes da polícia de fronteira norte-americana contra haitianos que entraram ilegalmente no país a partir do México.

EUA ordenam investigação à violência contra haitianos na fronteira

Numa audição no Comité de Segurança Nacional da Câmara dos Representantes norte-americana, Alejandro Mayorkas comentou fotografias polémicas sobre os factos ocorridos no fim de semana passado próximo da localidade de Del Rio, no estado do Texas.

"[As imagens] não refletem quem somos como país nem refletem a polícia de fronteira", disse Mayorkas, que descreveu a violência usada como "desnecessária". 

Numa das imagens, um agente da polícia, a cavalo, é visto a agarrar um migrante pela camisa, enquanto lhe acerta com o que parece ser um chicote, fotografia tirada na margem norte-americana do Rio Grande, que separa os Estados Unidos do México.

Na audição, Mayorkas anunciou uma "investigação rápida e contundente" e indicou que os agentes envolvidos foram retirados das funções de segurança relacionadas com a fronteira, passando a cumprir "tarefas administrativas".

"Os factos vão nortear as ações que tomaremos. Vamos até ao fim. Temos de fazer essa investigação de forma completa, mas rapidamente. Será concluída em dias", acrescentou. 

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou no sábado que iria acelerar o ritmo de expulsões por avião de quase 15 mil migrantes, na maioria haitianos, que se encontravam concentrados sob uma ponte no estado do Texas.

As expulsões de haitianos foram temporariamente suspensas após um terremoto que devastou seu país no mês passado. 

"A grande maioria dos migrantes vai continuar a ser deportada" imediatamente com base numa lei sobre saúde aprovada no início da pandemia para limitar a propagação do vírus, indicou, então, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. 

Hoje, Carlos Camargo, advogado colombiano com as funções de "defensor do povo", indicou que cerca de 19.000 migrantes, na maioria haitianos, estão atualmente retidos na costa norte da Colômbia, aguardando a possibilidade de atravessar a fronteira para o Panamá, com o objetivo final de seguirem para os Estados Unidos.

"No final de uma missão de avaliação da crise migratória [...], constatamos que, atualmente, estão cerca de 19.000 migrantes" no município de Necocli, no departamento de Antioquia, "em trânsito para a fronteira com o Panamá", declarou Carlos Camargo, numa publicação na rede social Twitter.

A Comissão da ONU para os Direitos Humanos (UNHRC) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) manifestaram na terça-feira, em comunicado conjunto, uma "profunda preocupação" com as expulsões de migrantes haitianos e alertaram para o risco que representa para as pessoas que podem reivindicar o direito de asilo, cujos pedidos têm de ser obrigatoriamente examinados.

"Estamos profundamente preocupados com o facto de não ter havido um exame individual no caso [dos cidadãos haitianos]. Talvez algumas dessas pessoas não tenham recebido a proteção de que precisavam, disse a porta-voz da UNHRC, Marta Hurtado.

Por sua vez, Shabia Mantoo, porta-voz do ACNUR, sublinhou no mesmo comunicado que o pedido de asilo "é um direito humano fundamental".

Aos problemas políticos e à insegurança que já afetavam o Haiti, juntou-se em agosto um forte sismo que devastou o sudoeste do país, matando mais de 2.200 pessoas.

Cerca de 650.000 pessoas, entre as quais 260.000 crianças e adolescentes, continuam a necessitar de "ajuda humanitária de emergência", segundo a UNICEF.

Mais de 1,3 milhões de migrantes foram detidos na fronteira com o México desde a chegada de Joe Biden à Casa Branca, em janeiro deste ano, um nível inédito nos últimos 20 anos.

A oposição republicana acusa há meses o Presidente Biden de ter causado uma "crise migratória" ao aligeirar as medidas do seu antecessor, Donald Trump, que fez do combate à imigração ilegal o seu cavalo de batalha logo desde a primeira campanha presidencial, prometendo a construção de um muro na fronteira com o México, e tentando, ao longo do seu mandato, concretizar a promessa.

Leia Também: EUA vão duplicar doações de vacinas contra o novo coronavírus

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