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Deputados da oposição no Uganda acusados de orquestrar assassínios

A polícia ugandesa interrogou hoje dois destacados deputados da oposição, acusados de orquestrarem uma onda de assassínios com machetes, que fizeram dezenas de mortos no sul do país.

Deputados da oposição no Uganda acusados de orquestrar assassínios
Notícias ao Minuto

14:36 - 07/09/21 por Lusa

Mundo Uganda

A população das aldeias na região de Masaka, situada a cerca de 150 quilómetros a sudoeste da capital do Uganda, Kampala, tem sido aterrorizada nos últimos dois meses por bandos, que a polícia diz terem matado cerca de 30 pessoas, principalmente idosos, nas suas casas durante a noite.

O porta-voz da polícia ugandesa, Fred Enanga, revelou que 12 pessoas foram já acusadas de homicídio e terrorismo e 11 outras foram detidas.

Enanga indicou ainda que alguns suspeitos revelaram que os deputados Muhammad Ssegirinya e Allan Sewanyana tinham organizado os ataques "para espalhar o medo entre o povo e fazê-lo odiar o Governo".

Os dois homens, membros da Plataforma Nacional de Unidade Nacional (NUP, na sigla em inglês) do líder da oposição, Robert Kyagulanyi, conhecido pelo nome artístico Bobi Wine, estavam hoje a ser interrogados pela polícia, pelo segundo dia consecutivo.

O antigo músico e atual deputado líder da oposição no país afirmou que as acusações foram fabricadas pelo Governo do Presidente Yoweri Museveni para desacreditar a oposição.

"Quando o Presidente disse recentemente que a oposição estava por detrás das mortes, achámos que era uma piada de mau gosto. Mas quando a polícia convocou os nossos deputados, percebemos que o plano do regime para implicar os líderes do NUP nos assassínios estava em ação", afirmou Bobi Wine.

Num discurso no mês passado, Museveni insultou os autores dos ataques, classificando-os como "porcos", e prometeu que seriam mortos.

No poder desde 1986, Yoweri Museveni, atualmente com 76 anos, foi reeleito em janeiro para um sexto mandato, à frente de Bobi Wine, que classificou as eleições como uma "charada" eleitoral.

"Não importa o que o regime Museveni faça, um dia o Uganda será livre e aqueles que forem acusados de crimes por pertencerem à oposição serão libertados", afirmou Bobi Wine.

Em Masaka, a população apelou ao Governo para que tomasse medidas fortes para deter os assassinos.

"Estamos de luto pelos nossos familiares que foram mortos, vivemos com medo de sermos mortos pelos bandos com machetes", disse em declarações à agência France-Presse Sarah Kasujja, uma lojista de 45 anos, cujo avô de 81 anos se encontrava entre as vítimas.

"Alguns idosos que viviam sozinhos (...) fugiram das suas casas para as cidades por causa da insegurança", acrescentou.

"O Governo deve ser responsabilizado por não nos defender dos assassinos. O exército e a polícia foram destacados, mas chegaram demasiado tarde", afirmou ainda.

O presidente do Conselho Nacional do Uganda para as Pessoas Idosas, Charles Isabirye, qualificou a série de assassínios um "choque para a nação". "É inconcebível que alguém mate pessoas idosas que vivem tranquilamente nas suas casas", afirmou à AFP.

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