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Política fornece material ao PR de Cabo Verde e escritor Jorge Fonseca

O Presidente da República cabo-verdiano afirmou hoje, em Lisboa, que o exercício da função política é um bom fornecedor de material para "ser trabalhado na oficina literária" e que introduz a literatura nos discursos políticos para "arejar" a mensagem.

Política fornece material ao PR de Cabo Verde e escritor Jorge Fonseca

Jorge Carlos Fonseca falava à agência Lusa em Lisboa, onde hoje apresentou o seu novo livro "A Grua e a Musa de Mãos Dadas" (Editorial Novembro), numa cerimónia que reuniu dezenas de admiradores no Centro Cultural de Cabo Verde.

Em trânsito para o Brasil, onde na quarta-feira inicia uma visita oficial e onde participa na reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, o chefe de Estado assumiu que a política e a criação literária desde sempre têm marcado a sua vida.

"A política sempre me serviu de pretexto para a criação literária", afirmou, acrescentando: "O exercício da função política fornece pretextos, ingredientes, instrumentos, material para ser trabalhado na oficina literária".

Desde muito novo que Jorge Carlos Fonseca sentia que "a escrita e a poesia, sobretudo, deviam ter autonomia em relação ao fenómeno político".

Mas reconheceu que, apesar de considerar que "a poesia e a literatura não deviam ter uma função de transmissão de mensagens políticas, de uma forma direta", desde cedo os seus poemas "tinham um material usado para a construção estética, que era um material político, na altura revolucionário", numa referência aos anos após a independência de Cabo Verde.

Como chefe de Estado, que este ano termina o seu segundo mandato, estando já marcadas as próximas eleições presidenciais para 17 de outubro, Jorge Carlos Fonseca continuou a encontrar ingredientes para a sua obra literária.

"No exercício de função eu falo com muita gente. Eu visitei, nestes dez anos, todos os municípios do país, várias vezes, contactei com milhares e milhares de cabo-verdianos, de todas as idades e todas as condições sociais. Estive com dezenas de chefes de Estado e do Governo, deputados, ONG, e os contactos, as observações, os comentários, os discursos, as observações, tudo isto é, por vezes amiúde, objeto de retenção e às vezes trabalho textos, sobretudo quando são textos fragmentários, como os da obra hoje apresentada", adiantou.

Jorge Carlos Fonseca, que já foi citado na imprensa portuguesa como o presidente que cita grandes escritores nos seus discursos, assume que escreve "em qualquer circunstância".

"Escrevo muito à noite, durante a tirania das insónias. Durmo pouco, escrevo durante um voo, numa viagem de comboio. Mesmo estando num encontro com um chefe de Estado, estou a conversar, mas podem-me chegar referências que procuro reter", referiu.

E aos seus homólogos também vai buscar caraterísticas para um eventual enriquecimento das personagens, mas sempre com a maior das cautelas, para evitar que "uma eventual referência de humor, de ironia, sarcástica, em relação a uma entidade que merece todo o respeito não surja de uma forma explícita ou direta. Que surja de uma forma de suspeição ou presunção".

Enquanto Presidente da República, e quando já contabiliza centenas de discursos, Jorge Carlos Fonseca socorre-se, com frequência, da literatura, introduzindo um discurso "esteticamente mais exigente, para arejar o discurso institucional".

Questionado sobre o tipo literário com que definiria os dois mandatos enquanto chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca optou por "um conjunto de textos fragmentários, muitas vezes redigidos em prosa, mas com a poesia sempre à espreita".

"A Grua e a Musa de Mãos Dadas" oferece aos leitores "imagens e metáforas de extrema cognição incorporada, para mais enigmas do que certezas, sem preocupação que seja um conto ou uma história, o que o escritor escreve", conforme resumo da obra feito pela editora.

O livro foi hoje apresentado pela escritora cabo-verdiana Vera Duarte Pina e pelo escritor português Luís Osório.

Nascido na cidade cabo-verdiana do Mindelo, ilha de São Vicente, em 1950, Jorge Carlos Fonseca é casado e pai de três filhas.

Licenciado em Direito e Mestre em Ciências Jurídicas, pela Faculdade de Direito de Lisboa, o atual chefe de Estado de Cabo Verde, que termina este ano o seu segundo mandato, publicou 22 livros, entre obras jurídicas, literárias e de outro cariz.

Leia Também: Cabo Verde: Presidenciais a 17 de outubro e eventual 2.ª volta no dia 31

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