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OCDE: África está a perder vantagens na sua relação com a China

A chefe de Relações Exteriores da OCDE considerou hoje que a relação entre a China e o continente africano está desequilibrada, com os países africanos a perderem vantagens na relação comercial e financeira com o gigante asiático.

OCDE: África está a perder vantagens na sua relação com a China
Notícias ao Minuto

14:17 - 14/07/21 por Lusa

Mundo OCDE

"Em 2019, houve um decréscimo nos empréstimos chineses para África, há uma lógica mais comercial, mas nessa balança comercial há um défice, porque África não consegue exportar para a China", disse Ana Fernandes.

A chefe da Unidade de Prospetiva, Relações Exteriores e Reforma de Políticas na Direção de Cooperação para o Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) falava nas Lisbon Speed Talks, organizadas pelo Clube de Lisboa em parceria com a Câmara de Lisboa e o Instituto Marquês de Valle Flor (IMVF).

Ana Fernandes sublinhou que a exportação dos produtos africanos para a China "podia ser uma grande oportunidade nesta fase de recuperação da pandemia, mas as regras da China são contrárias à importação e a nova parceria global com o resto do mundo reforça ainda mais a ideia de que a China quer investir no mercado interno e evitar a importação de produtos de outros continentes".

Há, na opinião de Ana Fernandes, "uma perda na relação estratégica" entre África e China, com prejuízo para os países africanos.

Ainda assim, os números sobre o envolvimento chinês no continente são volumosos: "A China investe mais nas infraestruturas do que todos os outros, incluindo o Japão, que é o maior investidor da OCDE", disse a responsável, lamentando a falta de transparência e de dados fiáveis sobre o investimento chinês no continente.

"A China, em termos de ajuda pública ao desenvolvimento, contribuiu em 2019 com 4,8 a 7,9 mil milhões de dólares [4 a 6,7 mil milhões de euros], e se olharmos para os 4,8 mil milhões de dólares, fica ao nível da contribuição da Suécia, que é um dos maiores contribuintes, mas se considerarmos os 7,9 mil milhões de dólares, já está ao nível do Japão", explicou.

Isto, continuou, "é um sinal inequívoco de que a China quer investir mais numa relação de parceria internacional que vai para além da lógica de empréstimos concessionais e começar a ter impacto noutras áreas da cooperação, como a educação, o clima ou a segurança".

A forte aposta da China em África, no entanto, tem mudado ao longo dos últimos anos, e "tornou-se menos visível o que África ganha com essa relação", considerou a responsável da OCDE.

"Há uma relação de longo prazo, menos burocratizante e mais flexível, estando a China presente quando é necessário, mas há uma preocupação grande que a China queira dominar setores produtivos fundamentais, com o digital, que é fundamental para a democracia em África", argumentou.

África, concluiu, deve participar na próxima reunião de alto nível com a China "com uma agenda de solicitações e exigências sobre aquilo que é até agora percebido como 'win-win' [em que ambas as partes ganham com a relação], e não é claro qual é o 'win-win' desta relação, falta equilíbrio e as populações africanas começam a perceber isto".

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