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Exército alega que ataque à aldeia do Tigray teve como alvo rebeldes

O Exército etíope confirmou um ataque aéreo na região do Tigray, na terça-feira, mas alegou apenas ter visado combatentes leais às ex-autoridades regionais, considerando "inaceitável" a acusação de que os alvos eram civis, disse hoje uma fonte oficial.

Exército alega que ataque à aldeia do Tigray teve como alvo rebeldes
Notícias ao Minuto

12:45 - 24/06/21 por Lusa

Mundo Etiópia

Testemunhas e médicos relataram na quarta-feira numerosas vítimas civis na sequência do então movimentado mercado local de Togoga ter sido atingido por um ataque aéreo, pelas 12:00 de terça-feira, provocando a condenação da comunidade internacional.

"A operação foi realizada no dia 22 de junho contra as tropas residuais da TPLF [Frente de Libertação do Povo Tigray, autoridades regionais dissidentes]", reunidas na aldeia de Togoga, para celebrar o que "chamam de festa dos mártires", comemoração do bombardeamento da cidade de Hawzen, em 1988, disse o coronel Getnet Adane, porta-voz do Exército etíope.

"Não há como estes [combatentes] quando dançam armados para celebrar o seu chamado Dia dos Mártires, ao mesmo tempo que se autodenominam civis quando são alvos de uma operação militar. Isto é inaceitável", acrescentou Adane, citado pela agência France-Presse.

O porta-voz do Exército etíope insistiu: "É claro que os últimos combatentes da TPLF e suas milícias se vestem com roupas civis".

"Ligar esta operação a um dia de mercado (...) é pura propaganda. Na Etiópia, as pessoas vão ao mercado de manhã e à tarde, geralmente, fica deserto", garantiu.

O porta-voz considerou que "a Força de Defesa Nacional da Etiópia é um exército profissional" e "tem a obrigação legal de defender os civis, sem falar dos seus próprios cidadãos".

Ainda não é conhecida uma avaliação precisa do ataque, principalmente devido ao acesso restrito à localidade a cerca de 30 quilómetros a noroeste da capital regional Mekele.

Mas testemunhas e fontes médicas relataram inúmeras vítimas civis na quarta-feira, apontando para dezenas de mortos e feridos. O Exército etíope também é acusado de ter impedido os serviços de emergência de aceder a Togoga e o transporte dos para o hospital de Mekele.

Um médico, citado pela agência Associated Press (AP), referiu que os trabalhadores de saúde no território reportaram "mais de 80 civis mortos".

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, Prémio Nobel da Paz em 2019, lançou uma intervenção militar em 04 de novembro para derrubar a TPLF, partido eleito e no poder no estado, e declarou a vitória em 28 de novembro, ainda que os combates continuem.

O Exército federal etíope foi apoiado por forças da Eritreia. Depois de vários dias, Abiy Ahmed declarou vitória em 28 de novembro, com a captura da capital regional, Mekele, frente à TPLF, partido que, até à chegada de Abiy Ahmed, controlou a Etiópia durante quase 30 anos.

No entanto os combates continuaram e as forças eritreias são acusadas de conduzirem vários massacres e crimes sexuais.

A Organização das Nações Unidas pediram na quarta-feira uma "investigação rápida sobre este ataque e atos subsequentes que privam as vítimas de tratamento médico".

Em Berlim, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, afirmou hoje que a situação em Tigray é "chocante" e que "o ataque aéreo produziu muitas baixas entre os civis".

Os Estados Unidos da América também condenaram o ataque.

Leia Também: EUA condenam bombardeamento a mercado em Tigray e exigem cessar-fogo

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