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Eleições na Etiópia são o primeiro grande desafio para Abiy Ahmed

Os etíopes começaram hoje a votar nas eleições que já foram adiadas duas vezes e numa altura em que se intensifica o conflito na região do Tigray, situações de fome e acusações contra o primeiro-ministro.  

Eleições na Etiópia são o primeiro grande desafio para Abiy Ahmed
Notícias ao Minuto

10:20 - 21/06/21 por Lusa

Mundo Etiópia

As eleições legislativas e regionais são o primeiro teste eleitoral para o primeiro-ministro Abiy Ahmed, 44 anos, eleito em 2018 sob a promessa de renovação democrática da Etiópia, o segundo país mais populoso do continente africano. 

De acordo com a France Presse formam-se filas desde as 06:00 (03:00 em Lisboa) nas assembleias de voto, sobretudo em Adis Abeba e Bahir, capital da região de Amhara (noroeste).

As urnas fecham às 18:00 (15:00 em Lisboa) sendo que os primeiros resultados só devem começar a ser divulgados dentro de alguns dias.

Abiy, distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 2019, libertou milhares de presos políticos e encorajou o regresso de exilados da oposição ao país prometendo a realização das eleições legislativas e regionais "mais democráticas" da história da Etiópia. 

"No que diz respeito à independência das instituições, processo e trabalho da comunicação social, podemos dizer que estas eleições são bem melhores do que as eleições anteriores. Por isso, pode-se dizer que se trata de um dia histórico", disse Dessalegn Chanie, um dos dirigentes do Movimento Nacional Amhara (NAMA), partido da oposição da segunda região mais populosa do país. 

Um dos principais dirigentes da oposição do país, Berhanu Nega, felicitou a participação nas eleições afirmando que lhe "parece boa".

"Espero que isto acabe bem", acrescentou Nega. 

O Partido da Prosperidade, movimento de Abiy Ahmed, com o maior número de candidatos para o Parlamento federal é apontado como o favorito e com capacidade para garantir a maioria capaz para formar governo. 

As eleições que decorrem hoje envolvem um total de 40 partidos e 9.500 candidatos a cargos locais e federais.

De acordo com a legislação do país, os deputados eleitos escolhem o primeiro-ministro, que dirige o Governo, sendo que o cargo de chefe de Estado é honorífico. 

O processo eleitoral esteve agendado para o mês de agosto de 2020 mas foi adiado duas vezes por causa da crise sanitária e de problemas logísticos relacionais com segurança. 

Mais de 38 milhões de eleitores estão registados mas uma parte do eleitorado não vai exercer hoje o direito de voto porque o processo não vai decorrer em todas as 547 circunscrições nas regiões marcadas por confrontos armados e também devido a "problemas de ordem logística".

Cerca de um quinto do eleitorado das regiões mais problemáticas vão votar no dia 06 de setembro.

Mesmo assim, não foi fixada qualquer data em nenhuma das 38 circunscrições do Tigray, região onde o governo lançou uma operação militar em novembro do ano passado.

Relatos de atrocidades foram denunciados nos últimos meses sendo que o conflito agravou a situação alimentar das populações: mais de 350 mil pessoas precisam de ajuda na região, de acordo com as Nações Unidas.  

Os sete meses de confrontos entre os independentistas e o governo mantêm-se e estão a prejudicar a imagem do primeiro-ministro.

Abiy Ahmed é natural da região de Oromia, a mais densamente povoada da Etiópia, onde os dois principais partidos da oposição boicotaram as eleições protestando contra a detenção dos dirigentes políticos regionais por terem denunciado falta de igualdade no processo eleitoral. 

Alguns observadores internacionais questionam a credibilidade das eleições, nomeadamente os Estados Unidos que demonstraram inquietação em relação à exclusão de um grande número de eleitores e a prisão de responsáveis da oposição.

As eleições estão a ser acompanhadas de forma particular pelos países vizinhos da Etiópia, como o Sudão e o Egito que se mostram contra a construção da "Grande Barragem", um gigantesco projeto hidroelétrico no Nilo que pode provocar dificuldades na retenção de água nos Estados fronteiriços.  

Leia Também: Etiópia. Eleições reavivam receios num país com 80 grupos étnicos

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