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Dirigentes do Apple Daily acusados de conspirar com forças estrangeiras

Dois responsáveis do jornal Apple Daily de Hong Kong foram acusados de "conspirar com forças estrangeiras" sob a lei de segurança nacional imposta no ano passado na ilha chinesa, informou hoje o Governo local.

Dirigentes do Apple Daily acusados de conspirar com forças estrangeiras

Num comunicado, o Governo de Hong Kong confirmou a detenção de duas pessoas pelo crime de "conspirar com forças estrangeira" e assim "colocar em risco a segurança nacional".

De acordo com o artigo 29 dessa lei, os culpados de "conspirar" com forças estrangeiras podem ser condenados a prisão perpétua.

Os jornais locais, como o South China Morning Post, identificaram os detidos como Ryan Law e Cheung Kim-hung -- este último também diretor-geral da empresa matriz do Apple Daily, Next Digital.

Ambos foram detidos na quinta-feira juntamente com três outros responsáveis do jornal que foram, entretanto, postos em liberdade sob caução enquanto avançam as investigações da polícia.

Os dois responsáveis que continuam detidos comparecerão na manhã de sábado a um tribunal local.

De acordo com a polícia local, o Apple Daily publicou "dezenas" de artigos - entre os quais uma coluna de opinião assinada pelo fundador/proprietário do jornal, Jimmy Lai, que também está preso e é uma das figuras mais conhecidas da oposição pró-democracia de Hong Kong - que provaria que o jornal conspirou com forças ou elementos estrangeiros.

Pelo menos 30 destes artigos foram publicados em papel ou no portal do Apple Daily desde que a lei de segurança nacional foi imposta em junho do ano passado.

Na quinta-feira, cerca de 500 agentes participaram na rusga nas casas dos cinco detidos, enquanto outros 200 polícias foram ao escritório do jornal com uma ordem judicial que lhes permitiu apreender material jornalístico.

Por enquanto, a operação resultou no bloqueio de cerca de dois milhões de euros distribuídos por uma dezena de contas bancárias pertencentes a três empresas vinculadas ao Apple Daily e na apreensão de mais de 40 dispositivos, como computadores ou discos rígidos.

O jornal nacionalista chinês Global Times, subsidiário do jornal oficial People's Daily, especulou hoje sobre o possível encerramento do jornal, dadas as dificuldades financeiras que enfrentaria após o bloqueio dos referidos fundos.

Embora o próprio Apple Daily e organizações internacionais como a Amnistia Internacional denunciem as rusgas e prisões como um "novo ataque à liberdade de imprensa" na ex-colónia britânica, as autoridades locais alegaram que a operação é parte de um caso de "conspiração" e que não tem nada a ver "com o trabalho dos meios de comunicação ou dos jornalistas".

"O trabalho jornalístico normal é realizado com liberdade e respeito pela lei em Hong Kong", assegurou o secretário de Segurança, John Lee, que alertou os jornalistas locais.

"Façam o seu trabalho jornalístico com a liberdade que desejarem, de acordo com a lei e assumindo que não conspiram ou têm a intenção de violar a lei de Hong Kong, muito menos a lei de segurança nacional".

Hoje, os apoiantes do Apple Daily correram aos quiosques, em muitos casos comprando mais de um exemplar para mostrar solidariedade ao jornal, que hoje imprimiu uma das suas maiores tiragens - mais de meio milhão de exemplares - desde sua fundação em 1995.

Leia Também: Covid-19: Menos de 25% dos estrangeiros na China vacinados contra o vírus

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