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Alemanha pós-Merkel e coligações são incógnita, dizem especialistas

O futuro político da Alemanha após a saída de cena da chanceler Angela Merkel e as coligações que terão de ser feitas após as eleições federais de setembro constituem ainda uma incógnita, defendeu hoje um painel de especialistas franco-alemão.

Alemanha pós-Merkel e coligações são incógnita, dizem especialistas
Notícias ao Minuto

14:22 - 12/05/21 por Lusa

Mundo Alemanha

Numa videoconferência sobre o tema, promovida pela Fundação Robert Schuman, Frank Baasner, diretor do Instituto Franco-Alemão (DFI), Joachim Bitterlich, antigo embaixador da Alemanha em França, e Hélène Kohl, jornalista e correspondente da Europe 1, foram unânimes em considerar que todos os cenários são possíveis e que nenhum partido irá governar sem uma coligação de dois ou três parceiros.

Isso mesmo foi avançado por Bitterlich, que considerou que, no pós-eleições de 26 de setembro, a Alemanha irá "virar uma página" após 16 anos de Merkel no poder sem que haja certezas, pois a coligação CDU/CSU está dividida entre dois candidatos a chanceler e os Verdes estão a subir fortemente na grande maioria das sondagens.

Bitterlich lembrou que, na coligação, Armin Laschet, atual líder da CDU e que sucedeu a Merkel nas eleições de meados de janeiro no partido, e Markus Soder, responsável máximo da CSU e ministro-presidente da poderosa Baviera, não conseguem ultrapassar a divergências na corrida ao cargo de chanceler.

Segundo Bitterlich, os Verdes, que apresentam pela primeira vez uma candidata a chanceler, Annalena Baerbock, estão em segundo lugar na grande maioria das sondagens e têm mostrado uma agenda "desconfiada" em relação a tudo o que está ligado ao setor da Defesa, tendo um programa eleitoral de 37 páginas que é "muito sedutor" para os alemães, com uma forte aposta nas áreas da educação, tecnologias verdes, digitalização e, naturalmente, nas ambientais.

Hèlène Kohl destacou a mesma ideia, reforçando-a com a divisão reinante na atual coligação governante, que pode dar também espaço ao Partido Democrático Liberal (FDP) para futuras coligações governamentais.

O impacto para a Europa na viragem de página no poder na Alemanha é outra das incógnitas, pois tudo dependerá das alianças que, entretanto, se formarem após as eleições e, sobretudo, da "qualidade e quantidade" do endividamento alemão para fazer face à crise pandémica ligada à covid-19 e para apoiar os fundos da União Europeia (UE) pelas mesmas razões, sublinhou, por seu lado, Baasner.

Para o diretor do DFI, há que ter também em conta o facto de a Alemanha realizar várias eleições regionais em junho, pelo que será "importante saber" qual a estratégia dos vários partidos, alertando para o facto de os populismos de extrema-direita, ligados à Alternativa para a Alemanha (AfD), que estará sempre fora de eventuais coligações.

A pandemia de covid-19 é também outra incógnita, concordou o painel, uma vez que a população alemã, que está aparentemente a ver-se a salvo da terceira vaga, tem sido muito crítica à atuação das autoridades federais no que diz respeito ao combate à epidemia, provocando um "grande desgaste" num país que vai ficar "órfão de Merkel", que funcionou como uma "mãe de todos os alemães" ao longo dos 16 anos de poder, tal como referiu Hélène Kohl.

Facto destacado por Bitterlich é o de todos os principais candidatos à chancelaria alemã serem "pró-europeus", pelo que será curioso confirmar, depois das eleições federais de setembro, se haverá uma continuidade da linha traçada por Merkel ou uma rutura e, neste caso, como será feita essa transição sem perder de vista a relação com os 27.

Os três membros do painel terminaram as intervenções e o debate de quase hora e meia ainda com maiores dúvidas sobre o futuro da Alemanha pós-Merkel, mas todos destacaram a ideia de um papel de "pivot" que os Verdes irão desempenhar no futuro executivo federal, qualquer que seja o resultado da votação.

Leia Também: Candidato da CDU à sucessão de Merkel acusado de legitimar antissemitismo

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