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Cimeira: Todas as questões vão ser discutidas "às sete horas e um minuto"

O relógio do edifício da Alfândega do Porto, onde decorre a Cimeira Social, marca sete horas e um minuto quando do outro lado da rua as mesas de uma esplanada recebem os primeiros clientes desde o fim do último confinamento sanitário.

Cimeira: Todas as questões vão ser discutidas "às sete horas e um minuto"

"Do que nós precisamos é de cimeiras, eventos. Fosse o que fosse, do que precisamos é destas coisas todas as semanas, porque o que a gente quer é trabalhar", disse à Lusa a proprietária do café que começa agora a funcionar depois de largos meses encerrado devido à pandemia de covid-19.  

A Cimeira Social decorre hoje na Alfândega do Porto com a presença de 24 dos 27 chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), reunidos para definir a agenda social da Europa para a próxima década.

No Largo da Alfândega, perto da esquina com as Escadas do Beco de Judeus, em Miragaia, Fernanda, 60 anos, tem uma esplanada cheia em virtude do movimento dos participantes do "invento" internacional que, tal como os turistas estrangeiros, trazem lucro aos comerciantes da zona, em tempos que "parecem de crise".

"Estou a começar tudo de novo, outra vez, porque todo o dinheiro que nós tínhamos foi-se e ninguém me ajudou com nada", diz Fernanda, que confessa desconhecer o que os políticos europeus vão discutir do outro lado da rua. 

"Só sei que o que vai começar ali é uma coisa da União Europeia. Não sei mais nada, mas tem de ser bom para nós e que sirva para nos mandar dinheiro", diz ainda a comerciante de Miragaia.

Passada uma hora, ao final da manhã, o relógio do edifício da Alfândega continua a marcar sete horas e um minuto quando as equipas de funcionários da cimeira corrigem a posição da passadeira azul que vai receber os participantes: líderes políticos europeus, parceiros sociais e sociedade civil. 

Definida pela presidência portuguesa como ponto alto do semestre, a Cimeira Social tem no centro da agenda o plano de ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado pela Comissão Europeia em março, que prevê três grandes metas para 2030: ter pelo menos 78% da população empregada, 60% dos trabalhadores a receberem formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas, cinco milhões das quais crianças, em risco de pobreza e exclusão social.

"Hoje eu tenho trabalho porque o patrão quis que eu viesse trabalhar. Sei que vai haver uma 'coisa' da União Europeia e que hoje tenho trabalho e que está por aí muita polícia. Isso de muita polícia não é nada bom", diz um operário enquanto entra numa obra perto do Beco do Preto, sem explicar mais nada.

O edifício da Alfândega situa-se ma das zonas mais antigas da cidade do Porto - integrada atualmente na União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia e Vitória -, caracterizada por uma população envelhecida e com um setor comercial especialmente dedicado à restauração e aos novos alojamentos locais que começam a chegar às margens do Douro. 

Nas Escadas dos Armazéns, depois de um arco de granito onde só passam gatos vadios que descem da escarpa, uma moradora diz que todos os anos "é sempre a mesma coisa" com as cimeiras e que "acabar com a pobreza seria um milagre". 

"Eu, infelizmente fui sempre tratada com pobreza, o que nós sabemos é que temos de 'esgravatar' para comer, mas digo-lhe mais: o milionário também morre", diz Maria Cunha, 80 anos e há quase sessenta a viver no alto das Escadas dos Armazéns de onde se vê o telhado da Alfândega com um relógio que marca sempre sete horas e um minuto.

Ao princípio da tarde os participantes da Cimeira Social começam a chegar ao edifício na margem direita do Douro.

O trânsito está cortado, chegam oito carros da Unidade Especial da PSP e quatro lanchas da Polícia navegam entre o Cais das Pedras e a curva do rio, na Ribeira.

Os líderes europeus entraram pela porta principal da Alfândega para uma primeira cimeira europeia realizada em contexto de crise sanitária e na mesma altura em que os moradores de Miragaia tentam voltar à "normalidade".

Apesar do relógio da Alfândega estar parado ou simplesmente estragado o horário da cimeira está a ser cumprido, sendo que as metas para os objetivos devem ser executadas até ao fim década, caso sejam alcançadas hoje, "às sete horas e um minuto", no Porto.

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