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Bolsonaro sob pressão antes da cimeira do clima

Uma coligação que reúne cerca de 280 associações de defesa ambiental e representantes do agronegócio exigiram hoje ao Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, objetivos "mais ambiciosos" de combate ao aquecimento global, antes da cimeira do clima deste mês.

Bolsonaro sob pressão antes da cimeira do clima
Notícias ao Minuto

21:56 - 08/04/21 por Lusa

Mundo Brasil

O Brasil é considerado um país-chave nos esforços globais para o equilíbrio climático do planeta", lembrou a coligação "Brasil, Clima, Florestas e Agricultura" numa carta aberta endereçada ao Governo de Bolsonaro.

Esse grupo, que reúne organizações não-governamentais (ONG) como o WWF (World Wide Fund for Nature) e gigantes do agronegócio, como a Danone, ou de cereais, como a Cargill, apontou a desflorestação como "responsável por 40% das emissões de CO2 do país".

A desflorestação atingiu níveis muito preocupantes desde a chegada ao poder do Presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro, em 2019.

Apesar de o abate de árvores vir aumentando nos últimos anos, "o Brasil já mostrou do que é capaz", explica a carta, referindo que, entre 2004 e 2012, o país "fez a maior redução de emissões de gases de efeitos estufa (GEE) já registada por um único país, ao reduzir em 80% sua taxa de desflorestação".

Em 2012, a desflorestação no Brasil atingiu o mínimo histórico, com 4.100 quilómetros quadrados desflorestados.

Durante os primeiros dois anos do mandato de Bolsonaro, que tomou posse em janeiro de 2019, a área florestal arrasada do mapa atingiu 10.700 quilómetros quadrados em 2019, e 9.800 quilómetros quadrados em 2020, os piores números desde 2008.

A coligação defende explorações agrícolas que respeitem mais o ambiente e ressalta que o Brasil tem um papel importante a desempenhar para que sejam evitadas "futuras e trágicas pandemias como as que vivemos, fruto de zooneses [nome genérico dado a várias doenças infecciosas dos animais] decorrentes da destruição de ecossistemas".

O chefe de Estado brasileiro já se mostrou favorável à exploração agrícola e mineira da Amazónia, qualificou de "cancro" as ONG ecológicas e acusou ainda as potências estrangeiras de criticarem a sua política ambiental de forma a apoderarem-se dos recursos naturais do Brasil.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, convidou 40 líderes mundiais, incluindo Jair Bolsonaro e os chefes de Estado chinês e russo, Xi Jinping e Vladimir Putin, respetivamente, para uma cimeira virtual sobre o aquecimento global em 22 e 23 de abril.

Bolsonaro foi um dos últimos líderes mundiais a congratular Biden pela sua vitória nas eleições presidenciais dos Estados Unidos no ano passado.

Durante o primeiro debate presidencial contra Donald Trump, em outubro de 2020, Joe Biden ameaçou o Brasil com sanções económicas devido à desflorestação na Amazónia.

Na ocasião, Bolsonaro, aliado incondicional de Trump, considerou "desastrosas" essas declarações, que, segundo o mandatário, poderiam colocar em risco "as relações cordiais" entre Brasília e Washington.

Leia Também: Vídeo de filho de Bolsonaro com mãe cria polémica e obriga a justificação

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