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Opositor preso sob acusação de instigar agitação pós-eleitoral no Níger

O opositor Amadou Hama foi hoje preso na capital do Níger, Niamey, depois de três dias sob custódia policial pelo seu alegado papel na agitação que se seguiu ao anúncio dos resultados das eleições presidenciais no país.

Opositor preso sob acusação de instigar agitação pós-eleitoral no Níger
Notícias ao Minuto

22:45 - 01/03/21 por Lusa

Mundo Amadou Hama

Amadou Hama "foi colocado, mediante um mandado de captura, em Filingué", uma prisão na capital, sob "muitas acusações", incluindo pela "sua implicação" em manifestações e destruição de bens", segundo o gabinete da procuradoria, citado pela agência France-Presse (AFP).

Hama, antigo primeiro-ministro e ex-presidente da Assembleia Nacional, é também acusado de "propaganda regionalista" e de "declarações suscetíveis de colocar as pessoas umas contra as outras".

Outras pessoas detidas e com alegadas ligações aos distúrbios que se seguiram ao anúncio dos resultados provisórios da segunda volta das eleições presidenciais, realizada em 21 de fevereiro", foram também colocadas sob um mandado de captura", afirmaram os serviços da procuradoria, que não divulgou os seus nomes.

Hama tinha-se apresentado à polícia de Niamey na sexta-feira, passando três dias sob custódia policial antes de ser preso por decisão dos juízes de instrução encarregados do seu caso.

O ministro do Interior, Alkache Alhada, acusara-o na véspera de "ser o principal perpetrador" da agitação que eclodiu na capital após o anúncio dos resultados pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), em 23 de fevereiro.

A CENI nigerina declarou a vitória do candidato do partido no poder, Mohamed Bazoum, na segunda volta das eleições presidenciais, anunciando que este tinha recolhido 55,75% dos votos.

De acordo com os dados da CENI, a taxa de participação na segunda volta foi de 62,91%.

Mohamed Bazoum recolheu 2.501.459 votos, enquanto o candidato da oposição, Mahamane Ousmane foi a escolha válida de 1.985.736 eleitores entre os 7,4 milhões de nigerinos chamados às urnas.

No dia seguinte, Ousmane reclamou a vitória na segunda volta das eleições presidenciais.

"A compilação dos resultados provisórios na nossa posse, através dos nossos delegados nas várias mesas de voto, dá-nos como vencedor, com 50,3% dos votos", afirmou então Mahamane Ousmane, a partir do seu bastião, em Zinder (sudeste), num discurso gravado em vídeo, divulgado pela agência de notícias francesa AFP.

Após o anúncio de Ousmane, candidato apoiado por Hama, foram realizados vários confrontos na capital nigerina, Niamey, onde manifestantes atiraram pedras de calçada contra as forças de segurança, que ripostaram com gás lacrimogéneo.

A agitação levou à morte de pelo menos duas pessoas e a vários episódios de pilhagem de estabelecimentos comerciais e de destruição de infraestruturas e de propriedades privados, assim como à detenção de 468 pessoas, segundo o ministro do Interior.

Entre os detidos estão também o antigo chefe do Estado-Maior do Exército Moumouni Boureima, próximo de Hama, que é também acusado de ser um dos "líderes" da agitação em Niamey, refere a AFP.

A coligação que apoia Ousmane, a Cap 20/21, e os seus aliados anunciaram a sua vontade em defender a vitória do candidato opositor "por todos os meios legais". A coligação exigiu também a "libertação incondicional" das pessoas detidas, incluindo de Amadou Hama.

Considerado um forte candidato na corrida presidencial, Hama não pôde concorrer às eleições por ter sido condenado a um ano de prisão por um caso de tráfico de bebés, que descreveu como sendo uma "conspiração" para o manter fora das eleições.

Um dos principais desafios do próximo Presidente será a contenção dos ataques 'jihadistas', que mataram centenas de pessoas desde 2010, mais de uma centena nos primeiros dias de janeiro, e expulsaram cerca de 500.000 pessoas das suas casas, de acordo com as Nações Unidas (mais de 300.000 refugiados e deslocados no leste, junto à fronteira com a Nigéria, mais de 160.000 no oeste, junto às fronteiras com a Mali e o Burkina Faso).

Leia Também: Coligação opositora do Níger insiste na vitória do seu candidato

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