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Catalunha. Illa quer ser presidente apesar de maioria independentista

O candidato do Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC-PSOE), o mais votado nas eleições de hoje na região, anunciou hoje que vai concorrer à presidência do Governo regional, apesar de os partidos independentistas terem reforçado a sua maioria.

Catalunha. Illa quer ser presidente apesar de maioria independentista

"A mudança chegou à Catalunha, para ficar, e a vitória de hoje é um grande passo em frente, mas é apenas o primeiro", disse o antigo ministro da saúde espanhol, Salvador Illa, que conseguiu que o PSC fosse o partido mais votado, com 23% e 33 deputados nas eleições de hoje para o parlamento regional.

O candidato socialista vai tentar convencer o segundo mais votado, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), com 21,3% e também 33 deputados, a abandonar a lógica independentista que já prometeu manter e embarcar numa eventual aliança com os socialistas.

A tarefa de Salvador Illa parece quase impossível, depois de, na reta final da campanha eleitoral na Catalunha, os partidos independentistas terem assinado um documento para que não houvesse pactos pós-eleitorais com o PSC.

A ERC praticamente empatou com o PSC, mas desta vez ficou à frente do Juntos pela Catalunha (JxC) na luta pela hegemonia dentro do bloco pró-independência, pelo que o seu candidato, Pere Aragonès, anunciou esta noite que irá defender a sua investidura e que pretende um "governo amplo" com todas as forças pró-soberania.

Pere Aragonès considerou que, tendo empatado em lugares com os socialistas e obtido quase 600.000 votos, lhe oferece a possibilidade de negociar um governo conjunto de todos os partidos a favor da autodeterminação e da "amnistia" do que considera ser os "presos políticos" condenados por terem participado em 2017 na tentativa de independência da Catalunha.

O candidato da ERC considerou também que se abre uma "nova etapa" na história da Catalunha, depois de, na sua opinião, os independentistas terem ultrapassado 50% dos votos, e dirigiu uma mensagem ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, na qual o convida a negociar uma solução para o "conflito político" entre a Catalunha e o Estado central.

O conjunto dos partidos separatistas que apoiam a atual solução governativa na região conseguem mais do que a metade dos 135 lugares na assembleia.

O parceiro da ERC no atual Governo, o Juntos pela Catalunha (JxC, independentista), do antigo presidente Carles Puigdemont fugido atualmente na Bégica, teve 20,1% e 32 lugares, enquanto os também separatistas da Candidatura de Unidade Popular (CUP, extrema-esquerda) obtiveram 6,7% e nove deputados.

A extrema-direita espanhola do Vox conseguiu ficar em quarto lugar com 7,7% e 11 deputados, à frente da CUP.

O grande perdedor das eleições é o Cidadãos (direita-liberal), que nas eleições de 2017 concentrou o voto útil dos constitucionalistas (pela união de Espanha) que agora fugiu para o PSC, e desceu de 25,3% para de 5,6% e de 36 para apenas seis deputados.

Por último, o Partido Popular (PP, direita) obteve 3,8% e três lugares no novo parlamento regional.

A taxa de participação nestas eleições baixou mais de 25 pontos percentuais tendo sido agora cerca de 53% dos votos, influenciada pela pandemia de covid-19 que levou muitas pessoas a ficar em casa.

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