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Polícia adota medidas para evitar manifestação a favor de Navalny

A polícia russa divulgou um alerta contra a participação numa manifestação prevista para domingo para exigir a libertação do líder da oposição Alexei Navalny, noticia hoje a agência noticiosa AP.

Polícia adota medidas para evitar manifestação a favor de Navalny
Notícias ao Minuto

17:24 - 30/01/21 por Lusa

Mundo Moscovo

O alerta da polícia moscovita contra a realização do protesto em defesa da libertação de Navalny, considerado o opositor mais proeminente de Putin e do Kremlin, ocorre numa altura em que se verificam detenções de apoiantes de Navalny e de jornalistas ligados à oposição, situação que tem sido acompanhada de severas medidas de segurança para restringir o acesso ao centro de Moscovo.

Navalny foi detido em 17 de janeiro, após regressar à Rússia vindo da Alemanha, onde passou cinco meses a recuperar de uma tentativa de homicídio por envenenamento através de um agente nervoso.

A detenção do opositor de Putin gerou uma onda de protestos em cerca de 100 cidades da Rússia, tendo quase quatro mil pessoas sido detidas pelas autoridades.

A próxima manifestação em Moscovo está marcada para domingo na Praça Lubyanka, tendo a polícia moscovita reforçado a segurança junto ao centro da cidade, da Praça Vermelha a Lubyanka, ordenando o encerramento de sete estações de Metro situadas nas proximidades e o fecho de restaurantes e algumas lojas icónicas da capital.

Segundo a oposição, os serviços secretos e de inteligência russos terão tentado envenenar Navalny, de 44 anos, com um agente nervoso fabricado durante a era soviética, sob ordens do Kremlin, mas o governo russo negou qualquer envolvimento no caso.

A porta-voz do Ministério do Interior russo, Irina Volk, justificou as medidas de segurança com a pandemia de covid-19 no país e lançou uma advertência aos manifestantes, lembrando que se estes violarem as regras sanitárias e epidemiológicas podem enfrentar acusações do foro criminal.

Os protestos ocorridos em 23 de janeiro de apoio a Navalny foram os maiores e mais mediáticos alguma vez ocorridos na Rússia nos últimos anos, tentando agora as autoridades evitar que se repitam.

Para o efeito, a polícia realizou recentemente uma série de mandados de busca em apartamentos e escritórios da família de Navalny, associados à organização anticorrupção que se tem insurgido contra o regime liderado por Putin.

Oleg, irmão de Navalny, o assessor Lyubov Sobol e três outras pessoas foram colocados em prisão domiciliária durante dois meses na sexta-feira, em resultado de uma investigação sobre alegadas violações das regras sanitárias sobre a pandemia iniciada logo após os protestos do último fim de semana.

Entretanto, Sergei Smirnov, editor do portal de notícias Mediazona, fundado por membros do grupo punk Pussy Riot, foi detido pela polícia ao sair da sua casa. Nenhuma acusação contra ele foi ainda formalizada.

Navalny entrou em coma, em 20 de agosto, durante um voo doméstico da Sibéria para Moscovo. Sentiu-se mal e, posteriormente, foi transferido para um hospital de Berlim, dois dias depois.

Laboratórios na Alemanha, França e Suécia, e testes da Organização para a Proibição de Armas Químicas, apuraram que o opositor de Putin foi exposto ao agente nervoso Novichok.

As autoridades russas recusaram-se a abrir um inquérito criminal para investigar o caso, alegando falta de provas e de evidências de que ele teria sido envenenado.

Navalny foi preso quando pisou solo russo sob o argumento de que seus meses de recuperação na Alemanha violaram os termos de uma pena suspensa que ele recebera numa condenação por fraude e lavagem de dinheiro, em 2014, um processo que o opositor político diz resultar de vingança política.

Após a sua detenção, os apoiantes de Navalny divulgaram um vídeo, de duas horas, num canal do YouTube sobre uma luxuosa residência situada no mar Negro alegadamente construída para o presidente russo Vladimir Putin.

A propriedade exibe comodidades como uma discoteca numa piscina, zonas requintadas de lazer e um casino, entre outras excentricidades. O vídeo foi visto por mais de 100 milhões de utilizadores e inspirou uma série de piadas sarcásticas na Internet.

Putin reagiu prontamente e garantiu que, nem ele nem qualquer de seus familiares próximos, possui tal propriedade, tendo o Kremlin insistido também oficialmente que a propriedade não tem qualquer relação com o Presidente, embora seja protegida por elementos da agência federal FSO, que garante segurança de altos funcionários do governo.

Mais tarde, a televisão estatal russa transmitiu uma reportagem do complexo imobiliário, que o mostra em construção, divulgando ainda uma entrevista com um engenheiro que alega que o empreendimento é para um hotel de luxo.

No sábado, o magnata da construção Arkady Rotenberg, um amigo próximo de Putin e seu parceiro ocasional em combates de judo, assumiu ser ele o verdadeiro dono da propriedade.

Leia Também: Rússia acusa financiador de fundo contra corrupção de "fraude massiva"

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