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Formas de oposição a Biden mudam a partir de hoje

A reunião de hoje do Congresso dos Estados Unidos vai determinar a forma como a oposição política ao Presidente eleito Joe Biden e ao partido Democrata se vai desenvolver, defendeu à Lusa o analista Gregory Magarian.

Formas de oposição a Biden mudam a partir de hoje
Notícias ao Minuto

09:49 - 06/01/21 por Lusa

Mundo EUA

As duas câmaras do Congresso norte-americano -- a Casa dos Representantes e o Senado -- reúnem-se hoje para contar e validar todos os votos do Colégio Eleitoral para confirmar a eleição de Joe Biden como Presidente dos EUA.

Esta reunião conjunta é vista como a última oportunidade oficial para que políticos eleitos do partido Republicano contestem os resultados das eleições de 03 de novembro, que deram a vitória a Joe Biden e ao partido Democrata contra o Presidente cessante, Donald Trump.

São esperadas várias objeções na sessão de hoje, com vários representantes estaduais a declarar que se vão opor e apresentar contestações aos votos, numa tentativa de defender o Presidente Donald Trump antes da transferência de poder e da posse do novo Presidente, Joe Biden, a 20 de janeiro.

Para Gregory Magarian, professor de Direito na Washington University in St. Louis, no Estado de Missouri, depois da sessão de hoje, muitos dos "obstrucionistas" vão virar atenções para "como prejudicar a administração de Biden", já que as tentativas de dissolução de votos não vão conseguir mudar os resultados eleitorais.

Depois de os republicanos perderem as ações que apresentarem contra os votos dos Estados na sessão de hoje do Congresso, vão concentrar-se mais em opor-se às nomeações de Biden para a futura administração e "tentar garantir que o Senado não confirme as nomeações", sublinhou Gregory Magarian.

O professor de Direito e especialista em regulação dos processos políticos acrescentou que as oposições aos processos de nomeação de chefes de gabinetes para a próxima administração vão também dificultar políticas e medidas propostas pelo novo Presidente.

A 30 de dezembro, Joe Biden e Kamala Harris atingiram o objetivo de nomear 100 elementos do pessoal que os vai acompanhar na Casa Branca, uma equipa predominantemente composta por mulheres e pessoas de minorias.

Os chefes de gabinete terão ainda de ser aceites e confirmados pelo Senado, um processo com mais obstáculos se o Partido Republicano for maioritário nesta câmara do Congresso.

Tudo está, ainda assim, dependente dos resultados da segunda volta das eleições na Geórgia, realizada na terça-feira, que vão determinar que partido detém a maioria no Senado.

Uma outra curiosidade, para o professor Magarian, é ver se no futuro, senadores republicanos vão estar mais dispostos a trabalhar com democratas, tendo visto os "prejuízos" no sistema trazidos pelos "obstrucionistas".

Para o autor de numerosos artigos académicos sobre direito, os representantes e senadores republicanos "estão a tentar desestabilizar e minar o sistema" e as tentativas de dissolução de votos são por "interesses próprios".

O professor considerou que, no momento atual, muitos dos republicanos elogiam Trump e falam de todas as suas qualidades, mas por "conveniência e oportunismo".

"Trump atingiu um domínio forte de mentes e corações de uma grande maioria de eleitores republicanos", pelo que os congressistas tentam representar essa população que é, no fundo, "o suporte central", disse o especialista.

Muitos políticos republicanos temem repercussões de fações mais à direita no futuro: "temem que se não apoiarem Trump, vão sofrer disputas e oposições nas eleições primárias", explicou Magarian.

Por exemplo, o governador do Estado da Geórgia, Brian Kemp, é classificado como "um republicano extremamente conservador e clássico de direita do século XXI", segundo Gregory Magarian, mas enfrenta agora críticas e acusações do Presidente Trump por não apoiar os processos judiciais para rejeitar votações ou alterar resultados na eleição presidencial.

O governador da Geórgia enfrenta ameaças de ver oposição e campanhas negativas nas eleições primárias de 2022 vindas do próprio Donald Trump e de outros apoiantes ainda mais da direita extrema, um cenário que muitos políticos estão a tentar evitar ao aliar-se ao Presidente cessante.

"É muito seguro dizer que Donald Trump não se torna genuinamente gostado ou admirado pelas pessoas, é uma pessoa que constrói relações e controlo pelo exercício do poder. Penso que quando já não for Presidente, a lealdade pessoal que muitos representantes e senadores expressam (...) vai tornar-se muito fraca", declarou o especialista.

Para Gregory Magarian, a "triste realidade" é que muitos eleitores norte-americanos "não se preocupam que os políticos republicanos minem democracia e a Constituição".

Apesar de uma grande maioria da população dos Estados Unidos ser "pró-demcrática e a favor de proteger a democracia e o sistema constitucional", as populações de vários estados não se importam com obstáculos postos por republicanos à transferência de poder para o partido Democrata.

Os Estados de Alabama, Missouri, Luisiana, Oklahoma são, na visão de Gregory Magarian, exemplos, entre muitos outros, de populações onde a maioria vai continuar leal ao partido Republicano e vai permitir as tentativas de desestabilização democrática no Congresso.

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