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RCA. ONU desloca militares para impedir perturbações nas eleições

A missão da Organização das Nações Unidas na República Centro-Africana (RCA) deslocou 'capacetes azuis' para o oeste do país com o objetivo de impedir grupos armados de "perturbarem as eleições" presidenciais e legislativas marcadas para 27 de dezembro.

RCA. ONU desloca militares para impedir perturbações nas eleições
Notícias ao Minuto

06:41 - 19/12/20 por Lusa

Mundo RCA

A informação foi avançada pela missão da ONU (MINUSCA, na sigla em Inglês), em comunicado.

Pelo menos, três dos mais importantes grupos armados que ocupam dois terços da RCA ameaçaram atacar o governo do presidente Faustin Archange Touadéra, se este último organizar fraudes, como já o acusam, para conseguir um segundo mandato.

A MINUSCA "deslocou na sexta-feira forças para Bossemptélé e Bossembélé, duas localidades da prefeitura de Ombella-M'Poko que foram atacadas por elementos armados do 3R, do MPC e dos anti-Balaka", especificou, no comunicado, o porta-voz da MINUSCA, Vladimir Monteiro.

Segundo fontes humanitárias e da ONU, os grupos armados apoderaram-se de várias localidades situadas nos eixos que servem a capital, Bangui, a qual está ameaçada de um bloqueio à distância.

"O reforço dos meios da MINUSCA, incluindo aéreos, é uma resposta às violências cometidas por estes grupos armados e que também afetaram (as localidades de) Yaloké e Bozoum", no oeste, causando dois mortos entre as forças do governo.

As tensões estão muito vivas na RCA, onde o governo acusou na quarta-feira o antigo presidente François Bozizé, excluído do escrutínio pelo Tribunal Constitucional, de preparar um "plano de desestabilização do país", ao casso que a oposição receia fraudes massiva nas eleições.

A RCA tem sido abalada por uma guerra civil, depois de uma coligação de grupos armados de dominante muçulmana, a Séléka, ter derrubado o regime do general François Bozizé em 2013.

Os confrontos entre a Séléka e milícias de dominante cristã e animistas, designadas 'antibalaka' provocaram então milhares de mortos.

Desde 2018, a Guerra evoluiu para um conflito de baixa intensidade, onde os grupos armados disputam o controlo dos recursos do país, particularmente gado e minerais, enquanto abusam com regularidade das populações civis.

O Movimento Patriótico da República Centro-Africana (MPC, na sigla em Francês), o 3R (Regresso, Reclamação, Reabilitação) e dois grupos anti-Balaka publicaram na quinta-feira um comunicado em que se comprometeram a "restabelecer a segurança no conjunto do território nacional por todos os meios", incluindo os "meios de coerção, na hipótese de o poder executivo se obstinar em manipular a organização do escrutínio para fazer um roubo eleitoral".

Na quarta-feira, a MINUSCA, encarregue de garantir a segurança das eleições, com os 11.500 'capacetes azuis', apelou a François Bozizé para que "trabalhe sinceramente para um regresso verdadeiro da paz (...), mais do que criar alianças com os líderes dos grupos armados para desestabilizar o país".

Integrada na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), Portugal tem neste país a 7.ª força nacional destacada, constituída por 180 militares,

Em setembro, o Estado-Maior-General das Forças Armadas revelou que pelo menos 88 dos 180 militares portugueses tinham sido infetados com o novo coronavírus, mas esta epidemia acabou por não ter qualquer consequência grave em termos de saúde.

O primeiro-ministro, António Costa, tinha prevista uma deslocação aos destacamentos militares portugueses na RCA, no sábado, que anulou por ter ficado desde quinta-feira em isolamento profilático preventivo da covid-19.

Leia Também: RCA: Campanha eleitoral arranca hoje com 17 candidatos à presidência

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