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ONU revê "estratégia de saída" de missão na RDCongo

A Organização das Nações Unidas está a rever a possível "estratégia de saída" da sua missão na República Democrática do Congo (RDCongo), poucos dias antes da decisão do Conselho de Segurança sobre o futuro desta.

ONU revê "estratégia de saída" de missão na RDCongo
Notícias ao Minuto

21:58 - 15/12/20 por Lusa

Mundo Congo

"É uma estratégia de saída que deve ser implementada à luz dos progressos reais e concretos alcançados no terreno nas várias áreas em que estamos a intervir", disse à comunicação social o subsecretário-geral das Nações Unidas para as Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, citado pela agência France-Presse (AFP).

O diplomata apontou a segurança, a proteção de civis e o reforço da presença do Estado no leste da RDCongo, onde as forças da ONU estão presentes, como "critérios fundamentais" que serão submetidos ao Conselho de Segurança, que deverá então decidir se "deve reduzir gradualmente a presença [da ONU] e então considerar uma saída".

O Conselho de Segurança deve decidir até 20 de dezembro sobre a renovação do mandato da missão da ONU na RDCongo, a Monusco.

Presente na RDCongo desde 1999, então com outro nome, a missão das Nações Unidas é uma das maiores do mundo, tendo tido um orçamento para este ano na ordem de mil milhões de dólares (822 milhões de euros).

Atualmente a força compreende cerca de 14 mil soldados, um número que tem vindo a ser reduzido nos últimos anos.

A Monusco encerrou também vários escritórios na RDCongo, concentrando a sua presença principalmente no leste do país.

Lacroix deverá visitar esta região do país, em particular as províncias de Ituri e Kivu Norte, durante uma visita que está a realizar na RDCongo, depois de dois dias na capital, Kinshasa -- onde realizou uma reunião com o Presidente do país, Félix Tshisekedi.

Estas duas províncias, que albergam uma forte concentração de grupos armados e milícias, centenas de civis foram massacrados durante o ano passado, estando a ONU preocupada com a realização de possíveis crimes contra a humanidade.

Em Kivu Norte a ineficácia dos capacetes azuis da Força de Intervenção Rápida no território de Beni tem sido criticada. Nesta zona, o grupo armado das Forças Democráticas Aliadas é acusado de matar mais de 800 civis desde novembro de 2019.

Entre 1999 e 2003, estima-se que o conflito nesta região, rica em ouro e petróleo, tenha provocado a morte de dezenas de milhares de pessoas, levando à intervenção de uma força internacional.

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