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Etiópia reafirma dever de "manter ordem" após reunião com União Africana

O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, reafirmou hoje, no final de uma reunião em Adis Abeba com os enviados especiais da União Africana (UA) para a mediação do conflito em Tigray, que é seu dever "manter a ordem" na Etiópia.

Etiópia reafirma dever de "manter ordem" após reunião com União Africana
Notícias ao Minuto

17:34 - 27/11/20 por Lusa

Mundo Etiópia

Abiy Ahmed ordenou na quinta-feira que o Exército avançasse para a "última fase" da operação militar lançada em 04 de novembro, o ataque a Mekele, a capital da região separatista do norte da Etiópia.

Os líderes da Frente de Libertação do Povo Tigre (TPLF) estão entrincheirados em Mekele, cidade agora rodeada por forças militares federais, que antes do início do conflito tinha cerca de 500.000 habitantes.

A comunidade internacional, preocupada com as consequências de um ataque a civis e possíveis "crimes de guerra", está a tentar exercer pressão sobre o primeiro-ministro da Etiópia, que rejeitou firmemente qualquer "interferência nos assuntos internos" do seu país.

Entre outras iniciativas, a UA nomeou três enviados especiais, os antigos presidentes de Moçambique Joaquim Chissano, da Libéria Ellen Johnson-Sirleaf, e da África do Sul Kgalema Motlanthe, que chegaram à capital etíope na quarta-feira.

O Governo etíope prometeu reunir-se com os representantes da UA "por respeito", mas declinou a oferta de mediação, com antecedência, como todos as anteriores.

Porém, hoje, o primeiro-ministro expressou a sua "gratidão" ao chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, que detém agora a presidência rotativa da União Africana, e aos enviados especiais, o seu empenho em propor "soluções africanas para os problemas africanos".

Mas também recordou que o seu Governo tem "a responsabilidade constitucional de manter a ordem [em Tigray] e em todo o país", salientando a paciência que há muito tem demonstrado face às "provocações" e à "agenda de desestabilização" da TPLF.

Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros etíope, Demeke Mekonnen, continuou a viagem diplomática que iniciou há 10 dias para defender a posição do Governo do seu país, encontrando-se, em Paris, com o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian.

No final da reunião, Le Drian condenou, num comunicado, a "violência de natureza étnica" e apelou a "medidas para proteger a população civil".

Até agora, ainda não existe uma avaliação precisa dos combates em Tigray, mas pelo menos várias centenas de pessoas já foram mortas e mais de 43.000 etíopes fugiram para o vizinho Sudão, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Hoje mesmo, o ACNUR disse ter transportado 32 toneladas de ajuda de emergência - incluindo cobertores, mosquiteiros e lâmpadas solares - para o Sudão e uma segunda remessa deverá chegar na segunda-feira.

Após 24 horas da ordem dada ao Exército federal para avançar para a última etapa da operação militar em Tigray, não foi possível saber se a ofensiva contra a cidade de Mekele tinha realmente começado.

As autoridades regionais disseram hoje que o Exército federal estava a bombardear "cidades e aldeias", "causando-lhes pesados danos", mas sem mencionar especificamente Mekele.

"A nossa luta continuará em todas as direções e tornar-se-á mais forte até que a autodeterminação do povo de Tigray esteja garantida e o invasor seja expulso de Tigray", afirmaram num comunicado lido na Tigray TV.

"Apelamos, como sempre, ao povo de Tigray para que lute e se defenda contra os nossos inimigos", acrescentaram.

Como Tigray tem estado praticamente isolada do mundo desde o início do conflito, é difícil verificar no terreno, de modo independente, as reivindicações de ambos os lados.

Na quinta-feira, a estação de televisão oficial etíope EBC disse que a liderança da TPLF estava entrincheirada em vários locais em Mekele, incluindo numa fábrica de cimento, num museu e num auditório, comunicando "por rádio militar".

Liderando a luta armada contra o regime militarista marxista de Derg, que foi derrubado em 1991, a TPLF controlou então o aparelho político e de segurança da Etiópia durante quase 30 anos.

Gradualmente empurrado para fora do poder em Adis Abeba por Abiy Ahmed desde o momento em que se tornou primeiro-ministro, em 2018, o partido continua a dominar o seu bastião Tigray.

Mas as tensões entre o primeiro-ministro e a TPLF continuaram a aumentar, culminando, em setembro, com a realização de eleições regionais em Tigray, que Adis Abeba descreveu como "ilegítimas", e o ataque no início de novembro, segundo o Governo, a duas bases do Exército federal pelas forças da TPLF, o que esta força nega.

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