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Pentágono destruiu míssil de longo alcance em manobra de simulação

Numa manobra de simulação de defesa militar, a Marinha dos EUA conseguiu destruir uma réplica de míssil balístico intercontinental em pleno voo, anunciou hoje o Pentágono.

Pentágono destruiu míssil de longo alcance em manobra de simulação

O sucesso do teste hoje realizado deve atrair particular interesse da Coreia do Norte, cujo desenvolvimento de mísseis balísticos de alcance intercontinental e de armas nucleares é o principal motivo pelo qual o Pentágono procura agora acelerar a construção de sistemas de defesa antimísseis na última década.

Vários especialistas manifestam a preocupação de que este género de defesa militar possa desencadear um reforço do arsenal de mísseis de alcance intercontinental de potências nucleares como a China e a Rússia.

Em testes anteriores contra mísseis balísticos intercontinentais (ICBM, na sigla em inglês) tinham sido usados intercetores lançados de silos subterrâneos nos Estados Unidos, mas desta vez o alvo foi destruído a partir de um míssil lançado a partir de um navio da Marinha.

Se outros testes mais exigentes forem bem-sucedidos, a abordagem baseada em navios pode aumentar a credibilidade e fiabilidade do sistema de defesa antimísseis, anunciou o Pentágono.

Apesar de a Coreia do Norte ter suspendido os seus testes de voos de mísseis balísticos de alcance intercontinental, as intenções do líder sul-coreano, Kim Jong-un, são incertas, em particular quando os Estados Unidos se preparam para dar posse a um novo Presidente, Joe Biden.

Embora a abordagem atual dos EUA para a defesa antimísseis seja projetada para proteger a pátria dos EUA contra um ICBM disparado da Coreia do Norte, a Rússia e a China expressaram preocupação de que os EUA possam usar as suas defesas antimísseis para diminuir o valor de dissuasão das suas forças nucleares, que são maiores do que as da Coreia do Norte.

A medida norte-americana para instalar uma defesa contra ICBM baseada no mar provavelmente fará a China sentir a necessidade de expandir ainda mais o seu arsenal de mísseis de longo alcance, disse Hans Kristensen, um especialista em armas nucleares e mísseis da Federação de Cientistas Americanos.

"Isso vai alimentar ainda mais a mentalidade de que esse aumento é justificado" na China, explicou Kristensen.

Para este especialista, Moscovo verá o teste de hoje como uma confirmação da sua preocupação há muito expressa de que as defesas dos EUA, originalmente projetadas para lidar com um número limitado de mísseis de alcance intermediário, estão a ser aprimoradas para ameaçar o arsenal ICBM da Rússia.

A defesa antimísseis há muito tempo que é um obstáculo nas negociações de controle de armas entre os EUA e a Rússia.

O vice-almirante da Marinha norte-americana, Jon Hill, diretor da Agência de Defesa de Mísseis do Pentágono, que conduziu o teste de hoje, referiu-se aos resultados obtidos como "uma realização incrível e um marco crítico" para o programa.

Laura Grego, física e especialista em defesa de mísseis, concorda que a perspetiva de uma grande expansão das defesas contra mísseis nos Estados Unidos, ao equipar navios da Marinha com capacidades anti-ICBM, é preocupante.

"É provável que tenha um efeito esmagador sobre as perspetivas de novos acordos de controlo de armas e também fornecerá motivação (ou justificação) para a Rússia e a China diversificarem e aumentarem os seus arsenais de armas nucleares", escreveu ela na sua conta da rede social Twitter.

No teste de hoje, a mais recente versão de um míssil Aegis SM-3, construído pela Raytheon Missiles & Defense, foi disparada a partir de um navio 'destroyer' da Marinha dos EUA situado no Pacífico, a nordeste do Havai.

O míssil alvo não estava equipado com "iscas" ou outros sistemas sofisticados do tipo que um intercetor de mísseis dos EUA pode vir a enfrentar num ataque real aos EUA.

O teste havia sido planeado para a primavera passada, mas foi adiado por causa de restrições relacionadas com a pandemia de covid-19.

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