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Suécia limita aglomerações e continua a reverter estratégia que falhou

As autoridades da Suécia adotam agora medidas mais restritivas, face ao aumento de casos e de internamentos associados à Covid-19. Limitação de aglomeração é a segunda medida mais restritiva anunciada em menos de uma semana.

Suécia limita aglomerações e continua a reverter estratégia que falhou

O epidemiologista responsável por delinear a estratégia de combate ao novo coronavírus na Suécia, Anders Tegnell, já previa em maio que iria haver uma segunda vaga da pandemia do novo coronavírus este outono. "A Suécia terá um nível alto de imunidade e o número de casos será, provavelmente, bastante baixo", disse, na altura, numa entrevista ao Financial Times.

Agora, seis meses depois, os números de novos casos de infeção e o número de hospitalizações têm subido no país a um ritmo que não era previsto num contexto de imunidade de grupo, que seria facilitada por medidas de restrição leves, por uma posição anti-confinamento e sem obrigatoriedade de uso de máscara.

"A situação é extremamente grave", disse na semana passada o responsável sanitário de Estocolmo, Björn Eriksson. "Podemos esperar um aumento notável de mais pessoas a precisar de hospitalização nas próximas semanas", acrescentou.

O primeiro-ministro, Stefan Löfven, disse na quarta-feira que todos os indicadores estavam a seguir "na direção errada". "A infeção está a espalhar-se rápido e, na última semana, o número de pessoas em unidades de cuidados intensivos mais do que duplicou". Pode ver abaixo o quadro da evolução recente deste dado, conforme publicado pelas autoridades suecas. Até ao momento, a Suécia contabiliza 180.010 casos de infeção com o novo coronavírus e 6.189 mortes associadas à Covid-19.

Notícias ao MinutoEvolução de mortes, novos casos e internamentos em UCI desde 1 de maio até esta segunda-feira© Instituto Saúde Pública Suécia

Esta segunda-feira, a Suécia anunciou que vai limitar as reuniões públicas a um máximo de oito pessoas devido ao aumento dos contágios. A medida entrará em vigor a 24 deste mês e assim permanecerá por quatro semanas. Trata-se da segunda medida de restrição anunciada em menos de uma semana pelas autoridades suecas, após terem imposto a proibição de venda de álcool a partir das 22:00 e a obrigação de encerramento de bares, restaurantes e clubes noturnos até às 22:30.

Na semana passada, os hospitais suecos assistiram a um aumento de 60% de internamentos em comparação com a semana anterior, de acordo com o Guardian, um ritmo de crescimento que é o mais rápido entre países europeus, conforme consulta no Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC).

Anders Tegnell, responsável da Saúde Pública da Suécia, disse em conferência de imprensa que os números de novos casos mostram "um grande crescimento" e que iriam "certamente crescer mais" esta semana, ainda com menos gravidade.

"Sim, acho que podíamos ter feito melhor"

Recorde-se que, já em junho, Tegnell tinha admitido que a hipótese da imunidade de grupo não funcionou como o esperado, lamentando não se ter feito mais. "Se encontrássemos a mesma doença, sabendo o que sabemos hoje, acho a resposta seria um equilíbrio entre o que a Suécia fez e o que o resto do mundo fez", referiu Tegnell, durante uma entrevista a uma radio sueca. "Sim, acho que podíamos ter feito melhor do que fizemos, claramente", admitiu.

Contrariamente ao resto da Europa, a Suécia não confinou a sua população e manteve abertos cafés, bares, restaurantes e outros negócios, pedindo a cada um que assumisse as suas responsabilidades, inclusive em relação ao uso de máscara.

Depois de uma primavera dura, em que a Suécia registou cinco vezes mais óbitos do que a Dinamarca e 10 vezes mais do que a Noruega, embora com uma taxa de mortalidade inferior à dos países mais castigados da Europa, a pandemia no país melhorou significativamente durante o verão, com os níveis de contágio abaixo dos restantes países nórdicos.

No entanto, nas últimas duas semanas, e de acordo com os dados mais recentes do ECDC, está a registar-se uma média de 511,9 novos casos por cada 100.000 habitantes, o dobro do índice da Dinamarca e mais do que os Países Baixos e o Reino unido, entre outros.

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