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Frente Polisário denuncia que "ataque" de Marrocos "viola cessar-fogo"

O secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali, denunciou hoje junto da organização das Nações Unidas (ONU) o "ataque marroquino" ao posto fronteiriço em Guerguerat, considerando-o uma "flagrante violação ao acordo de cessar-fogo" assinado em 1991.

Frente Polisário denuncia que "ataque" de Marrocos "viola cessar-fogo"
Notícias ao Minuto

15:20 - 13/11/20 por Lusa

Mundo Marrocos

Rabuni, Argélia, 13 nov 2020 (Lusa) -- O secretário-geral da Frente Polisário, Brahim Ghali, denunciou hoje junto da organização das Nações Unidas (ONU) o "ataque marroquino" ao posto fronteiriço em Guerguerat, considerando-o uma "flagrante violação ao acordo de cessar-fogo" assinado em 1991.

Numa carta dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e à presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, atualmente a cargo de São Vicente e Granadinas, o também Presidente da República Árabe Sarauí Democrática (RASD) responsabiliza as autoridades de Rabat pela violação do cessar-fogo, ao ocupar os cinco quilómetros de faixa que separa a alfândega marroquina da fronteira com a Mauritânia.

"O Estado ocupante marroquino, com esta operação, minou seriamente não só o cessar-fogo e os acordos militares com ele relacionados, como também qualquer possibilidade de alcançar uma solução pacífica e duradoura para a questão da descolonização no Saara Ocidental", frisou Ghali.

"É com grande urgência e preocupação que vos escrevo para vos informar que as forças militares marroquinas lançaram um ataque brutal contra civis sarauís desarmados que se manifestavam pacificamente em Guerguerat, no sudeste do Saara Ocidental", frisou o líder sarauí na missiva.

Para Ghali, a operação militar das forças marroquins contra civis "é um ato de agressão" e uma "flagrante violação do cessar-fogo", pelo que as Nações Unidas e o Conselho de Segurança da ONU o "devem condenar nos termos mais enérgicos.

"Face a este ato de agressão, as forças militares da Frente Polisário foram forçadas a enfrentar as forças marroquinas em legítima defesa e em proteção da população civil", relatou.

"Consideramos o Estado de ocupação marroquino totalmente responsável pelas consequências da sua operação militar e pedimos às Nações Unidas que intervenha com urgência para pôr fim a esta agressão ao nosso povo e ao nosso território", acrescentou o Presidente da RASD.

Ghali denunciou também o facto de a "ação militar" ocorrer antes dos contactos entre o secretário-geral da ONU e a Frente Polisário, previstos para hoje, "o que demonstra claramente que a operação "é um ato de agressão premeditado" de Marrocos para "abortar os esforços das Nações Unidas para pôr cobro às tensões na zona.

A tensão bélica entre Marrocos e a Frente Polisário tem-se multiplicado desde que, há cerca de três semanas, centenas de sarauís bloquearam o posto fronteiriço de Guerguerat, território junto ao oceano Atlântico e que une a Mauritânia às regiões sarauís ocupadas por Marrocos em 1975.

Fonte diplomáticas marroquinas, citadas pela agência noticiosa espanhola EFE, indicaram hoje que as forças armadas de Marrocos entraram na área desmilitarizada no sul do Saara para acabar com o bloqueio.

Um corredor formado por militares das Forças Armadas Reais (FAR) marroquinas permitirá a passagem de camiões e todo o tipo de veículos nos cinco quilómetros de faixa que separa a alfândega marroquina da fronteira com a Mauritânia.

No entanto, não vão proceder à retirada dos manifestantes porque "os civis não são o alvo" e é "uma operação pacífica", disseram as mesmas fontes.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Marrocos divulgou um comunicado no qual indica que Marrocos "deu todo o tempo necessário" a Guterres à Missão das Nações Unidas para o referendo no Saara Ocidental (MINURSO) para solucionar o bloqueio, mas os seus esforços "foram em vão e Marrocos decidiu agir (...) em plena conformidade com o direito internacional".

A zona desmilitarizada onde está localizada Guerguerat é regida pelo chamado "Acordo Militar número 1", anexo ao acordo de cessar-fogo em vigor desde 1991 e assinado por Marrocos e o grupo Frente Polisário, que proíbe a entrada de militares, entre outras medidas.

No entanto, tanto Marrocos como a Frente Polisário são constantemente acusados de não cumprir o acordo com ações que violam o cessar-fogo.

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