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Norte-americano no limiar da pobreza crê em revoltas contra políticos

Zac, de 58 anos e no limiar da pobreza, vive em Altoona, no Estado da Pensilvânia.

Norte-americano no limiar da pobreza crê em revoltas contra políticos

A falta de ajuda dos políticos dos Estados Unidos à população é motivo para "as pessoas começarem a enlouquecer" e para haver revoltas sociais depois das eleições, disse à Lusa um norte-americano no limiar da pobreza.

Zac, de 58 anos e no limiar da pobreza, vive em Altoona, no Estado da Pensilvânia.

Reformado, trabalha em regime 'part-time' numa casa funerária, mas devido à pandemia de covid-19 ficou com muito menos horas de trabalho e menos dinheiro.

Revoltado e triste com a situação, Zac considerou, em entrevista à Lusa, que a única coisa que pode fazer é tentar arranjar outro emprego, mas tentar falar com políticos para mostrar as suas dificuldades "é uma perda de tempo".

Na sua opinião, "se algo correr mal e as pessoas começarem a enlouquecer, [os políticos] estavam a pedi-las, porque não estão a ajudar ninguém".

Por não conhecer nenhum dos autarcas que representam a cidade de Altoona e por ter a certeza que não iria conseguir nada mesmo se tentasse falar com eles, Zac assegurou que não vale a pena contactar os políticos locais, mas que vai votar nas eleições gerais de 03 de novembro.

As eleições presidenciais deste ano são disputadas pelo Presidente incumbente Donald Trump, apoiado pelo partido Republicano, e pelo antigo vice-Presidente Joe Biden, do Partido Democrata, num ambiente social de muita polarização e contestação.

Dentro de seis dias, os eleitores da Pensilvânia, como Zac, vão ter de votar também em candidatos ao Senado, Câmara de Representantes e Assembleia estaduais, que reúnem na capital do Estado, Harrisburg.

Sem revelar em quem vai votar, Zac disse à Lusa que quer "uma mudança radical" e que entre os assuntos que mais o incomodam na política do país são as promessas que não são cumpridas, a falta de ajudas económicas e os imigrantes que vêm aos Estados Unidos em situação ilegal.

Frustrado com as medidas restritivas pela pandemia de covid-19, queixou-se: "parece que [os EUA] ajudam qualquer outro país com dinheiro, mas não ajudam o nosso próprio povo".

Depois de apenas ter recebido um pagamento de ajudas económicas do Governo dos EUA há sete meses, Zac vive atualmente com rendimentos que se situam no limiar da pobreza.

"Recebemos um cheque há sete meses. Diziam que íamos receber outro. Desde aí, estiveram sempre a adiar, sempre a adiar e agora já é altura de eleições. É sempre algo diferente", disse.

E criticou o Congresso federal: "Iam resolver isto cem vezes, iam acabar [as negociações para mais ajudas económicas] antes de irem de férias. Mas em vez disso, partiram nos seus barcos e iates e nós cá estamos, sem nada".

Para uma pessoa que vive sozinha, o limiar da pobreza nos Estados Unidos são 12.490 dólares por ano (cerca de 10.500 euros).

Zac, que começou a trabalhar aos 12 anos, passou a trabalhar em regime de 'part-time' numa casa de serviços funerários, em que recebia entre 300 a 350 dólares (250 a 295 euros) a cada duas semanas, depois de se ter reformado.

"Estava a sair-me bem até cortarem o número de pessoas" autorizadas a trabalhar e a assistir aos funerais, por ordens do Governo, por causa da pandemia de covid-19, disse.

"O meu último cheque foi zero", confessou.

Zac mostrou-se ainda mais insatisfeito com o aparecimento de propostas de dar ajudas económicas aos imigrantes ilegais e mostrou-se a favor das "promessas feitas sobre pessoas ilegais, para tirá-las daqui".

O combate à imigração ilegal foi um dos pontos mais fortes da campanha de Donald Trump em 2016 e de todo o mandato presidencial dos últimos quatro anos.

Zac sublinhou que acredita que cada Presidente eleito deve ter direito a quatro anos e que se isso não agradar aos eleitores, na próxima eleição têm de votar noutra pessoa.

"Eles gastam biliões a discutir sobre agendas pessoais estúpidas e idiotas seja contra quem for", criticou Zac, recordando a destituição do Presidente Bill Clinton, do partido Democrata em 1998 "sobre a menina com que teve relações".

O norte-americano concluiu: "Com Donald Trump é sobre os formulários de imposto e por quase não pagar impostos. Bem, do que eu entendo, ele só está a usar as brechas que nós também temos. Ele é esperto".

O condado de Blair, que inclui a cidade de Altoona, tem uma maioria de eleitores registados pelo Partido Republicano, que representam 60% dos quase 80 mil eleitores e mais do dobro do que os eleitores registados pelo Partido Democrata.

O Estado de Pensilvânia, que na história recente tem feito mudanças de poder entre partido Republicano e Democrata, é considerado um "campo de batalha" e um 'swing state' para as eleições de 03 de novembro.

As eleições presidenciais nos EUA são decididas pelos votos no Colégio Eleitoral, constituído por 538 "grandes eleitores" dos 50 estados norte-americanos, que são obrigados a dar o voto no candidato mais escolhido pelos cidadãos locais no ato eleitoral.

Devido à quantidade de habitantes, o Estado de Pensilvânia é representado por 20 grandes eleitores, o que torna esta região numa prioridade para os candidatos presidenciais, que precisam de mais de 270 votos do Colégio Eleitoral para vencer as eleições.

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