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EUA. Republicana durante 45 anos mudou e teme pelo futuro do país

 A oito dias das eleições nos Estados Unidos, os norte-americanos estão saturados com a incerteza sobre o futuro, disse à Lusa uma antiga apoiante do partido Republicano, durante mais de 45 anos, que mudou para o partido Democrata.

EUA. Republicana durante 45 anos mudou e teme pelo futuro do país

"Estou feliz por ver as eleições chegar ao fim em breve e espero que resulte da maneira que eu quero, que não é a maneira que está agora", disse Karen Shields à Lusa, em Halifax uma localidade do estado da Pensilvânia onde a maioria das casas tem cartazes que exprimem o apoio ao atual Presidente e candidato Republicano, Donald Trump.

"No dia das eleições estou habituada a ir dormir sabendo quem é que vai ser Presidente (...), mas isso não vai acontecer desta vez", disse Karen Shields sobre as eleições de 03 de novembro, comentando sobre um Presidente incumbente que não aceita derrotas e não se compromete com a transferência de poder pacífica, mesmo que a maioria das sondagens prevejam uma vitória de Joe Biden.

A norte-americana, que já votou em casa e entregou o voto em mão a oficiais de eleições no local assinalado, disse que está ansiosa por conhecer os resultados: "Só quero que isto acabe rápido para sabermos onde estamos".

Karen Shields relatou à Lusa que cresceu numa família que sempre apoiou o partido Republicano mas, depois de mais de 45 anos, decidiu que não conseguia tolerar a hipocrisia dos políticos da direita e acreditou que o partido Democrata estava a dar mais atenção às injustiças sociais.

"Sou democrata, mas fui republicana durante mais de 45 anos e não podia tolerar o que estava a acontecer no partido Republicano e nesta administração e tive de sair", disse.

"Cresci numa família muito republicana e o meu pai foi presidente do partido Republicano num condado da Pensilvânia. (...) Eu sabia o que era [o partido] quando era criança e, para mim, agora não é nada como era antes, já não representa as mesmas coisas, então tive de fazer uma mudança", contou Karen.

Em dezembro de 2018, quase dois anos depois de Donald Trump se tornar Presidente, Karen Shields fez a mudança de partido.

"Já me estava a inclinar para democrata ou liberal de qualquer maneira" e "já estava a ver a injustiça social por mim própria, não precisei de Trump para me dizer isso", considerou a mulher, que trabalha como responsável de programas educacionais da Faculdade de Medicina da Universidade de Pensilvânia.

A degradação do partido Republicano, considera esta norte-americana, ficou ainda mais acentuada com o atual Presidente dos EUA.

"O facto de que Trump estava lá, mas mais importante, que os senadores e representantes republicanos iam todos atrás e não importa o que ele [Trump] fazia ou dizia, eles apoiavam... Para mim, eles não estavam a ser éticos, estavam a ser hipócritas e eu já não conseguia aguentar mais", explicou Karen.

A norte-americana quis manter segredo sobre como votou em 2016, mas disse que não votou pelo candidato do partido Republicano, Donald Trump.

Em 2016, a corrida presidencial foi disputada pelo atual Presidente (que recebeu 46,2% dos votos mas ganhou o lugar devido aos ditames do sistema eleitoral indireto do país) e pela candidata democrata Hillary Clinton, antiga secretária de estado e antiga primeira-dama dos EUA, que obteve a maioria do voto popular, com 48,3%.

Em 2016 concorreram também outros partidos muito menores, como o partido Libertarian a apoiar Gary Johnson (que obteve 3,3% dos votos) e o partido Verde a avançar com a candidatura de Jill Stein, que teve 1,1%.

Nas prioridades para o futuro, Karen Shields disse que "as pessoas brancas têm de acordar" para o "racismo sistémico que existe nos EUA" e para contrariar o "privilégio branco", privilégios e facilidades que não existem para pessoas de outra cor.

"O melhor que posso esperar é que as pessoas deem um passo atrás em toda a raiva que têm e que se respeitem umas às outras como indivíduos, sabendo que podemos pensar de maneira diferente, mas no fim, estamos todos a tentar lidar juntos e só temos uma Terra onde viver e um clima que está a alterar-se demasiado rápido para os nossos filhos viverem", concluiu Karen.

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