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Hong Kong: Alemanha concede estatuto de refugiada a ativista

A Alemanha concedeu o estatuto de refugiada a uma estudante natural de Hong Kong e ativista pró-democracia, que disse ter protestado contra a lei da extradição no território semi-autónomo chinês, noticia hoje a Associated Press (AP).

Hong Kong: Alemanha concede estatuto de refugiada a ativista

Confrontado com a afirmação de Elaine, a jovem de 22 anos que se recusou a dar mais dados pessoais por recear represálias à família em Hong Kong, o Gabinete Federal de Migração e Refugiados alemão não confirmou nem negou a concessão de asilo à ativista, citando as rígidas leis de privacidade do país.

Segundo a AP, Elaine mostrou os documentos em que se pode confirmar que o estatuto de refugiada foi atribuído a 14 deste mês.

Em declarações à agência noticiosa, Elaine disse ter fugido de Hong Kong em novembro de 2019 quando estava em liberdade sob fiança, depois de ter sido presa por acusações de rebelião e violação da lei do território chinês, que proíbe as máscaras, introduzida no ano passado quando os protestos antigovernamentais se tornavam cada vez mais violentos.

Depois de chegar à Alemanha, demorou mais de nove meses para que o pedido de asilo fosse processado, disse a ex-estudante da Universidade Chinesa de Hong Kong. 

"Estou muito grata ao Governo por cobrir as minhas necessidades básicas, incluindo a da saúde, quando tive de ser tratada por problemas de saúde mental. Mas gostaria que se pudesse simplificar o processo de inscrição, encurtar o tempo de espera e permitir a escolha do local onde se pretende morar", declarou.

A organização Haven Assistance, grupo criado por ativistas pró-democracia no exílio para ajudar outros residentes de Hong Kong que procuram asilo, recebeu bem a notícia, mas pediu que a Alemanha e a Europa, como um todo, façam mais no apoio aos manifestantes que foram obrigados a fugir do território.

O grupo inclui os ativistas Brian Leung, Ray Wong, Simon Cheng e Lam Wing Kee, todos eles exilados na Alemanha. 

"Embora a Haven Assistance dê as boas-vindas à decisão do Governo alemão de conceder asilo à ativista de Hong Kong, também exortamos a Alemanha e outros países europeus a continuarem a melhorar os seus processos de asilo e a considerarem a adoção de uma política abrangente de salva-vidas para os habitantes de Hong Kong", indicou o grupo num comunicado.

Os protestos contra o Governo de Hong Kong agitaram o território em 2019, depois de as autoridades tentaram apresentar um projeto de lei que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental. 

Embora o projeto tenha sido rejeitado, continuaram os protestos contra a violência policial e a privação das liberdades, levando Pequim a impor uma nova lei de segurança nacional, que entrou em vigor a 30 de junho deste ano.

A lei proíbe atividades subversivas, separatistas e terroristas, bem como o conluio com potências estrangeiras para interferir nos assuntos internos de Hong Kong.

Muitos dizem que a legislação pôs cobro ao princípio "um país, dois sistemas" sob o qual Hong Kong opera desde que Pequim assumiu a ex-colónia britânica em 1997. 

A nova lei levou muitos jovens residentes pró-democracia a fazer planos para deixar definitivamente o território. Em agosto, 12 jovens ativistas que tentavam fugir de lancha para Taiwan foram capturados pela guarda costeira chinesa e detidos na China. 

A Alemanha foi o primeiro país europeu a dar asilo a ativistas de Hong Kong, quando, em 2018, o concedeu a dois deles, Ray Wong e Alan Li Tung Sing.

A decisão causou algum atrito entre Berlim e Pequim e levou a líder de Hong Kong, Carrie Lam, a convocar o cônsul alemão para pedir esclarecimentos.

Sam Goodman, conselheiro político sénior da Hong Kong Watch, uma organização não-governamental que fiscaliza a situação no território, indicou que a decisão de conceder asilo a Elaine "demonstra o compromisso da Alemanha em defender os direitos humanos", mas também enfatizou que mais poderia ser feito. 

"Em julho, a Alemanha, juntamente com outros Estados membros da UE, concordou em apresentar propostas para tornar mais fácil para os jovens de Hong Kong trabalhar e estudar na Europa, como parte de uma política internacional de 'barcos salva-vidas'. Acreditamos que é hora de o Governo alemão cumprir essa promessa e de se juntar a parceiros de pensamento semelhante para garantir que todos os cidadãos de Hong Kong tenham uma apólice de seguro viável em face de uma nova repressão aos seus direitos", sublinhou.

A 31 de julho último, a Alemanha anunciou a suspensão do tratado de extradição com Hong Kong, numa reação à imposição pela China da lei de segurança nacional e ao adiamento das eleições legislativas na antiga colónia britânica.

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