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Guitarrista Wayne Kramer critica falta de direito de voto nas prisões

O guitarrista norte-americano Wayne Kramer, fundador nos anos 1960 da banda rock de Detroit MC5 e que hoje dirige uma organização de apoio a reclusos pelo ensino artístico, considera "inadmissível" proibir os presos de votarem nas presidenciais.

Guitarrista Wayne Kramer critica falta de direito de voto nas prisões
Notícias ao Minuto

09:19 - 20/10/20 por Lusa

Cultura EUA

"Neste país, só em dois estados é possível aos reclusos votarem. Mesmo que uma pessoa cometa um crime não deve perder a cidadania", lamentou o músico, em declarações à agência Lusa.

Kramer, 72 anos, lembrou que "cerca de 95% das pessoas que estão nas prisões dos Estados Unidos, e que representam 2,3 milhões de norte-americanos, vão voltar para casa um dia" e o melhor que se pode fazer por eles "é ajudá-los e ver o que lhes correu mal, ajudá-los a manter os contactos com a família e os amigos; mantê-los envolvidos com o 'contrato social' e deixá-los participar na vida cívica".

A banda Motor City Five (MC5) formada em 1964 pelo vocalista Rob Tyner, os guitarristas Fred "Sonic" Smith e Wayne Kramer, o baixista Pat Burrows e o baterista Bob Gaspar, foi um grupo politicamente ativo contra questões de racismo, problemas sociais e a guerra do Vietname, tendo inspirado o movimento punk uma década mais tarde.

No início dos anos 1970, devido a problemas relacionados com consumo de drogas, o guitarrista Wayne Kramer foi condenado a uma pena de prisão, facto que inspirou a banda britânica Clash a gravar o tema "Jail Guitar Doors" por considerar injusta a condenação.

Em 2007 o músico britânico Billy Bragg fundou a organização "Jail Guitar Doors" que começou a fornecer guitarras a reclusos no Reino Unido tendo Wayne Kramer fundado a organização "Jail Guitar Doors USA" e que continua "cada vez mais ativa"

"A premissa da organização 'Jail Guitar Doors' é a de que a música e a arte são medidas de prevenção do crime", disse à Lusa o antigo guitarrista dos MC5, que expandiu a rede de apoio a reclusos em 160 estabelecimentos prisionais dos Estados Unidos, garantindo aulas de música e programas de reabilitação social por todo o país desde a prisão de "Sing Sing" em Nova Iorque, a cadeias em Chicago e Detroit, entre outros pontos do país.

"Na Califórnia estamos a prolongar o programa de ajuda aos jovens porque se conseguirmos mostrar a um jovem que existem outras opções além dos grupos de delinquência eles podem vir a ter um futuro melhor. Nesse caso eu escuso de os procurar numa prisão para lhes dar uma guitarra no futuro", disse o músico.

Kramer mostrou-se também preocupado com o baixo nível de educação da população prisional.

"Descobri nos últimos 11 anos em que me mantenho envolvido neste trabalho que mais de metade dos reclusos da Califórnia, por exemplo, são praticamente analfabetos", lamentou.

"É impossível conseguir um trabalho quando não se sabe ler ou escrever. Quando se educa um criminoso passamos a ter um criminoso educado e por isso são precisas mudanças extremamente profundas e a única maneira de conseguirmos resultados sólidos é através do desporto e da arte: teatro, música, escrita, pintura, escultura, dança. Estas são as coisas que abrem as pessoas para sentimentos de humanidade", considera Kramer, que elogia as medidas implementadas em Portugal sobre a descriminalização das drogas.

"Estive a estudar o que fizeram em Portugal. A medida conseguiu baixar significativamente o número de reclusos. O que foi feito em Portugal foi brilhante. Foi senso comum", disse, acrescentando que o sistema norte-americano tem de ser reformado.

Na opinião do músico, "as prisões foram concebidas para retirar a humanidade às pessoas, para convencer as pessoas de que elas não têm qualquer valor no mundo que as rodeia e que o recluso é um problema para a sociedade", pelo que "ser criativo a partir do nada - uma canção, uma pintura, uma peça de teatro, um livro ou uma história -- é a melhor forma possível de combater o niilismo que marca os prisioneiros".

Socialmente ativo no programa de ajuda aos reclusos através da arte, o guitarrista fundador dos MC5 mantém-se politicamente atento à situação do país considerando que a administração Trump está a fazer "recuar" o país.

"Os últimos anos têm sido um desastre. A administração e Donald Trump em particular têm provocado muitos danos ao país. É difícil compreender e vão ser precisas décadas para desfazer o mal que ele fez em apenas quatro anos. Tem sido totalmente incompetente e não percebe que função está a ocupar como Presidente. Ele pensa que está num programa de televisão. Ele não quer um segundo mandato, ele quer a segunda temporada da série televisiva", acusa Wayne Kramer.

O músico e ativista norte-americano acusa também o Partido Republicano de "estar a permitir" que Donald Trump promova mentiras, desinformação e "pura" autopromoção e critica o apoio de Donald Trump aos grupos de extrema-direita e milícias, afirmando que atualmente não existe "sintonia" entre a população sobre os destinos do país porque "40% do eleitorado apoia o presidente".

"Isto para mim é uma loucura. Ainda estou a tentar perceber quem são estas pessoas, o que pensam e o que fazem. Isto é um grande problema para o futuro do país", diz Kramer a pouco mais de duas semanas das eleições presidenciais.

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