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Sindicatos paralisam África do Sul em protesto contra corrupção

Milhares de trabalhadores afetos às principais organizações sindicais na África do Sul paralisaram hoje as capitais provinciais do país em protesto contra a corrupção no Estado, a gestão da economia e o elevado desemprego que subiu para 42% no último trimestre.

Sindicatos paralisam África do Sul em protesto contra corrupção

A greve nacional de 24 horas, decretada pela confederação sindical COSATU, parceira do partido no poder Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), na coligação de governação desde 1994, que integra 21 sindicatos filiados e mais de 2 milhões de membros, coincide com uma reunião especial de dois dias do executivo do Presidente, Cyril Ramaphosa, sobre reformas para a recuperação económica do país.

A Federação dos Sindicatos da África do Sul (FEDUSA), segunda maior central sindical nacional, e a Federação Sul-africana de Sindicatos (SAFTU), criada em 2017 pelo antigo dirigente da COSATU, Zwelinzima Vavi, convocaram por seu lado mais de 1.3 milhões de afiliados para o protesto nacional de hoje.

"Estamos a desafiar o Estado e o Governo para que respeite os trabalhadores neste país, combata a corrupção no setor público e privado, não é a primeira vez que a COSATU o faz e quando os trabalhadores decidem protestar nós devemos marchar contra o mesmo Governo pelo qual que vamos fazer campanha eleitoral", disse a dirigente sindical da COSATU, Zingiswa Losi, em declarações à televisão sul-africana.

"A Covid-19 não pode ser uma desculpa para o Governo não pagar os salários dos funcionários públicos, o dinheiro que o Governo diz não ter é precisamente o dinheiro que está nos bolsos dos camaradas [do partido] que beneficiaram dos contratos PPE [material médico de proteção contra a pandemia] que estão a ser investigados, e os fundos de pensões dos trabalhadores que estão a ser usados pelo Governo na construção de infraestruturas", adiantou.

A dirigente sindical, que falava ao canal sul-africano ENCA junto ao palácio presidencial em Pretória, a capital administrativa do país, disse ainda que a África do Sul tem um chefe de Estado que "deveria liderar o Governo e o país, e ministros que estão em concorrência com o Presidente".

Os sindicalistas, que paralisaram as cidades de Pretória, Joanesburgo, Durban e Cidade do Cabo, entre outros centros urbanos provinciais, exigem ainda "um aumento salarial no serviço público, e o reforço das medidas contra a violência do género".

O Governo sul-africano encontra-se reunido desde hoje, em Pretória, em reunião especial de dois dias que conta com a participação do Presidente da República e dos governadores das nove províncias do país, para discutir medidas de recuperação económica e o reforço da segurança no país, segundo o ministro na presidência Jackson Mthembu.

"Um dos pontos em discussão é como lidar efetivamente com a corrupção e o crime, e obviamente reforçar a capacidade de todas as nossas agências da lei e ordem, incluindo a Polícia, o Ministério Público e o SARS [entidade tributária]", afirmou.

A economia sul-africana, a mais desenvolvida de África, teve uma queda recorde de 51% no segundo trimestre deste ano e o desemprego subiu para 42%, de acordo com dados oficiais.

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