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  • 25 NOVEMBRO 2020
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Conservadores em congresso perante descontentamento com Boris Johnson

O Partido Conservador inicia o congresso anual este sábado numa altura em que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, enfrenta um descontentamento crescente dentro do próprio partido Conservador com a resposta do governo à pandemia de covid-19.

Conservadores em congresso perante descontentamento com Boris Johnson

O facto de o congresso acontecer num modelo 'virtual' através da Internet devido às restrições impostas para reduzir a transmissão do coronavírus poderá poupar ao líder dos 'tories' momentos desconfortáveis, como quando a antecessora Theresa May recebeu em palco, como piada, um aviso de despedimento. 

Nas últimas semanas, Johnson e outros ministros têm sido publicamente confrontados devido às medidas tomadas para conter o ressurgimento do vírus no Reino Unido, nomeadamente o encerramento dos bares e restaurantes às 22:00 e proibição de ajuntamentos superiores a seis pessoas. 

Além das questões das liberdades individuais, vários deputados Conservadores receiam o impacto na economia e questionam dados e conselhos dos cientistas, tendo forçado o governo a aceitar debater e levar a votação no parlamento futuras restrições. 

O desconforto com possíveis aumentos de impostos ou, por outro lado, a violação do acordo com a União Europeia e repercussão na Irlanda do Norte são outros motivos de discórdia interna. 

Uma sondagem publicada hoje pelo portal ConservativeHome indica que apenas 28% das bases do partido consideram que Boris Johnson está a gerir bem a crise provocada pela pandemia, uma inversão drástica do apoio de 92% em março

Outras sondagens sugerem que o líder da oposição, o trabalhista Keir Starmer, é atualmente mais popular e mais credível do que o líder dos 'tories'. 

Segundo o politólogo Tony Travers, professor na universidade London School of Economics, este é o resultado do "domínio absoluto" da pandemia na polícia britânica, colocando o 'Brexit' em segundo plano. 

Boris Johnson foi reeleito primeiro-ministro em dezembro com a promessa de concretizar a saída do Reino Unido da União Europeia, mas também de "nivelar" o país e dar mais apoio económico a zonas do norte e centro de Inglaterra tradicionalmente identificadas com o partido Trabalhista. 

"O partido Conservador vai querer aproveitar o congresso para relançar a mensagem e o primeiro-ministro para reconstruir a confiança porque existem muitas críticas", disse hoje, num evento com jornalistas estrangeiros. 

O evento vai decorrer entre sábado e terça-feira e terá intervenções dos ministros das pastas da Defesa, política externa, Educação, Ambiente, Economia, Transportes ou Cultura, culminando com um discurso do primeiro-ministro, às 11:30. 

Por se realizar à distância, o congresso dificilmente será perturbado com revoltas ou tentativas para derrubar o líder eleito apenas há pouco mais de um ano, mas à margem acontecem debates de organizações associadas que muitas vezes levantam questões incómodas. 

Em destaque vai estar o ministro das Finanças, Rishi Sunak, protagonista de quatro eventos diferentes, reflexo da notoriedade que ganhou no partido, também visível nas sondagens de popularidade, nas quais está mais bem posicionado do que o chefe do executivo.  

Travers salientou as recentes "críticas violentas" de publicações normalmente favoráveis aos Conservadores, como o Daily Telegraph, Daily Mail e Spectator, pelo que a posição de Boris Johnson pode tornar-se mais precária se o 'Brexit correr mal e se crise causada pela pandemia piorar. 

"Uma das razões pelas quais o Partido Conservador ganhou tantas eleições nos últimos 150 anos é porque é capaz de se livrar dos líderes quando sente que não vão ganhar de forma a poder reinventar-se", recordou. 

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