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Um ano após a revolta de outubro o Iraque continua em crise

Milhares de manifestantes exigiram no Iraque, em outubro de 2019, a queda de um sistema que consideravam sem fôlego, mas um ano e perto de 600 mortos mais tarde não veem mudanças no país, afundado no marasmo político e económico.

Um ano após a revolta de outubro o Iraque continua em crise
Notícias ao Minuto

17:10 - 29/09/20 por Lusa

Mundo Iraque

Os contestatários começaram a ocupar as ruas a 1 de outubro, faz na quinta-feira um ano, contra a corrupção, os políticos "vendidos" segundo eles ao Irão ou aos Estados Unidos, a ausência de serviços públicos, o desemprego sobretudo dos jovens.

Mas ainda que Mustafa al-Kazimi tenha substituído como primeiro-ministro a Adel Abdel Mahdi, cujo Governo caiu sob pressão do inédito movimento de protesto, nenhuma reforma foi iniciada.

A queda dos preços do petróleo, única fonte de divisas do país, reduziu ainda mais o orçamento do Estado e nenhum político foi preso por corrupção. Pior ainda, os assassinos e sequestradores de ativistas nunca foram processados.

Diários e significativos durante meses, os protestos tornaram-se raros após o assassínio pelo Estados Unidos do general iraniano Qassem Suleimani em janeiro em Bagdad e foram suspensos após o início da epidemia da covid-19, mas podem recomeçar.

O Governo diz que age a mando do povo e devolve a bola aos deputados, os políticos mais odiados.

"Os manifestantes exigiam eleições antecipadas e uma nova lei eleitoral: é o que fazemos", assegura à agência France Presse o conselheiro do primeiro-ministro para as eleições, Abdelhussein Hindawi.

Legislativas antecipadas foram anunciadas para 6 de junho de 2021 e a lei eleitoral foi votada, mas falta aprovar o mapa eleitoral e o tipo de votação, que determinarão os vencedores.

E enquanto Kazimi repete querer liderar "um governo de transição", deputados e rivais acusam-no de se preparar para concorrer em 2021.

"Ele está bloqueado porque tem de tomar uma decisão", resume Renad Mansour, investigador da Chatham House, expondo o dilema: "Quer ser primeiro-ministro mais quatro anos e jogar o jogo político? Ou mudar as coisas imediatamente".

Mais prosaicamente o que a rua exige é eletricidade e empregos para os jovens (60% dos iraquianos), um terço dos quais está desempregado.

O Governo começou por defender a austeridade com os cofres "quase vazios", mas como todos os antecessores acabou por contratar centenas de funcionários, cujos salários já representavam a principal despesa pública.

Desde então, algumas dezenas de desempregados diplomados têm acampado diante de cada ministério, exigindo um contrato.

O orçamento de 2020 ainda não foi aprovado e incapaz de cobrir as suas despesas ou de fazer novos empréstimos, o governo está em apuros face a uma taxa de pobreza que poderá duplicar este ano para os 40%.

A crise do coronavírus (mais de 9.000 mortos e 350.000 casos) chamou a atenção para os hospitais sem meios nem pessoal qualificado, que em breve terão "perdido o controlo", segundo o Ministério da Saúde.

Além disto, a insegurança persiste com milícias armadas que raptam militantes anti-poder ou anti-Irão, apesar da promessa do governo de as desarmar.

"Sabemos quem são os responsáveis e onde estão, mas não podemos prendê-los ou denunciá-los", afirma um responsável que não quis ser identificado, explicando: "É demasiado delicado".

Forçado a chegar a acordo com um parlamento maioritariamente pró-Teerão e uma rua que critica a influência iraniana no Iraque, "Kazimi tem um pé na elite e outro nos anti-regime (...) e não satisfaz plenamente nenhum dos lados", considera o investigador da Chatham House.

Para Mansour, "o desafio iraquiano não pode ser assumido por um único homem. E num contexto tão violento, ainda menos pode ser assumido por um adepto da política dos pequenos passos".

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