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Suíços preparam-se para negar iniciativa de limitação à imigração

Uma maioria dos cidadãos suíços pretende rejeitar a iniciativa de limitação à imigração, revela a segunda sondagem realizada pela Tamedia para o voto popular do próximo domingo.

Suíços preparam-se para negar iniciativa de limitação à imigração
Notícias ao Minuto

15:08 - 24/09/20 por Lusa

Mundo Sondagem

Os suíços decidem, em 27 de setembro, se querem pôr fim à livre circulação de pessoas entre a Suíça e a União Europeia, num referendo promovido por uma iniciativa popular apoiada pela União Democrática do Centro (UDC), partido conservador suíço.

Segundo a sondagem realizada pelo grupo Tamedia, os suíços preparam-se para rejeitar a iniciativa de limitação à imigração com 65% de votos contra dos inquiridos e 33% dos votos a favor.

O cantão de Ticino terá sido quem recolheu mais votos a favor da iniciativa (45%). 

A iniciativa popular que pretende pôr fim à livre circulação de pessoas com a União Europeia (UE), à qual o Governo suíço manifestou oposição, deveria ter sido votada em maio, mas o referendo teve de ser anulado devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A proposta, intitulada "Iniciativa para uma Imigração Moderada", quer que o Governo suíço suspenda um acordo bilateral existente com a UE sobre a livre circulação de pessoas e assuma o controlo total da política de imigração do país.

O comité que apoia esta iniciativa estima que, desde a instauração do acordo bilateral entre a Suíça e a UE, em 2002, o país assiste a uma imigração em massa, o que, segundo os partidários, tem contribuído para o aumento do desemprego e uma ameaça da liberdade e prosperidade do país.

Sob o atual acordo de livre circulação, ambos os lados permitem livre acesso aos mercados de trabalho de cada um e o direito de escolher o local de residência.

Se os suíços votarem a favor da iniciativa de restrição à imigração, os acordos sobre o comércio, a agricultura, o transporte e pesquisa ficarão igualmente inválidos, já que estes fazem parte de um pacote de sete acordos bilaterais em vigor desde 2002.

"Em 2009, quase 50% de todos os produtos exportados da Suíça foram para a UE e mais de 60% dos importados vieram da UE", declarou o Governo num vídeo explicativo publicado na página oficial da Confederação Suíça, apelando aos cidadãos para rejeitarem a iniciativa.

"A aceitação desta iniciativa traria consequências nefastas para a economia e a prosperidade do país", justificou o executivo, salientando que as empresas precisam de "perspetivas futuras" e "relações comerciais estáveis" com a UE, em particular nesta fase em que todos fomos afetados pela crise do novo coronavírus.

Por outro lado, os partidários da iniciativa popular, apoiada pela UDC, defendem que está na altura de tomar uma decisão com vista a travar a imigração.

Os trabalhadores suíços estão a ser substituídos por uma mão de obra estrangeira e mais barata, contribuindo assim para o aumento da pressão sobre os salários e os trabalhadores suíços, alegam.

No domingo, além da iniciativa de limitação à imigração, os suíços serão levados a votar sobre quatro outros temas.

A referendo vão também estar a modificação da lei sobre a caça, a introdução da licença de paternidade paga, o aumento das deduções infantis nos Impostos Federais Diretos e a compra de novos aviões de combate. 

Tendo em conta a última sondagem da Tamedia, os cidadãos suíços pretendem rejeitar a chamada "iniciativa de imigração moderada" e aceitar a introdução da licença de paternidade e a compra de novos aviões de caça. Quanto aos dois outros temas, as intenções de votos permanecem bastante divididas.

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