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Erdogan vai continuar exploração no Mediterrâneo apesar de ameaças

O Presidente da Turquia garantiu hoje que vai continuar "com toda a determinação" a explorar hidrocarbonetos no Mediterrâneo, apesar do conflito que gerou com a Grécia e o Chipre e das ameaças de Bruxelas.

Erdogan vai continuar exploração no Mediterrâneo apesar de ameaças
Notícias ao Minuto

16:29 - 19/08/20 por Lusa

Mundo Erdogan

"Tomar medidas para proteger os nossos direitos no Mediterrâneo é vital para acabar com a nossa dependência energética do estrangeiro", afirmou Recep Tayyip Erdogan, num discurso transmitido ao vivo pela CNNTürk.

O Presidente descreveu como uma "luta pelo futuro" a doutrina Mavi Vatan ("Pátria Azul"), desenvolvida desde 2015 para reforçar a frota turca e afirmar o seu controlo sobre os mares que circundam o país, especialmente o Mediterrâneo Oriental, onde se cruzam vários interesses económicos e geopolíticos.

"Assim como, há um século, rasgámos o tratado de Sèvres, não nos submeteremos agora àqueles que tentam impor uma Sèvres no Mediterrâneo Oriental", disse Erdogan, referindo-se a um acordo de 1920 que dividiu quase todos os territórios do Império Otomano entre as potências europeias.

A Turquia quer declarar uma zona económica exclusiva (ZEE) numa grande área marítima ao sul da Anatólia que incluem zonas reivindicadas pela Grécia e pelo Chipre.

Ancara tem atualmente dois navios de exploração sísmica e um navio sonda nas áreas disputadas para procurar depósitos de hidrocarbonetos.

A estação CNNTürk garante que a Turquia também está a preparar outro navio sonda para começar a perfuração "nos próximos dias".

A União Europeia considerou hoje estas atividades da Turquia como "ilegais" e avisou que "todas as opções estão em cima da mesa", manifestando "total solidariedade" para com Grécia e Chipre.

"Tivemos a oportunidade de discutir a situação no Mediterrâneo oriental e as relações com a Turquia, que foram denunciadas por alguns Estados-membros", disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, falando em conferência de imprensa após uma cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da UE realizada por videoconferência.

Indicando que os líderes europeus acordaram em "regressar a estas questões" durante uma cimeira em setembro, Charles Michel avisou a Turquia de que "todas as opções estarão em cima da mesa", admitindo eventuais sanções a Ancara.

Também intervindo na conferência de imprensa após ter participado nesta cimeira extraordinária de líderes, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinalou que a UE tem "uma longa história com a Turquia, de parceria, mas também de conflitos".

No caso da Grécia, verificou-se na semana passada uma escalada da tensão no Mediterrâneo oriental pela presença - numa zona reclamada por Atenas - de um navio de prospeção turco escoltado por fragatas da Marinha de Guerra da Turquia.

As operações turcas começaram dias depois de a Grécia e o Egito terem assinado um acordo de delimitação das ZEE, não reconhecido pela Turquia.

A República de Chipre, reconhecida pela comunidade internacional e membro da União Europeia desde 2004, controla a parte sul da ilha, cerca de dois terços do território.

A República Turca Chipre do Norte, autoproclamada em 1983, é apenas reconhecida pela Turquia, que mantém milhares de soldados nessa região após a invasão militar de 1974, justificada por uma tentativa fracassada de golpe que pretendia a união da ilha à Grécia.

A Turquia reivindica parte da ZEE da ilha de Chipre e tem realizado operações de perfuração, insistindo que está a proteger os seus interesses e os dos cipriotas turcos nos recursos naturais da região.

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